Países em desenvolvimento vão debater políticas energéticas Objetivo do encontro, promovido pela ONU, é encontrar formas eficientes e confiáveis JAMIL CHADE Correspondente GENEBRA – Pela prim …



Países em desenvolvimento vão debater políticas energéticas


Objetivo do encontro, promovido pela ONU, é encontrar formas eficientes e confiáveis


JAMIL CHADE


Correspondente


GENEBRA – Pela primeira vez, especialistas de todo o mundo se reúnem para debater como países em desenvolvimento, como o Brasil, poderão ter políticas energéticas eficientes e confiáveis. O encontro começa segunda-feira em Genebra, na sede da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), e contará com representantes da Petrobrás e da Eletrobrás.


A preocupação central da Unctad, comandada pelo brasileiro Rubens Ricupero, é com as conseqüências da liberalização dos serviços de energia (geração, transmissão, fornecimento e distribuição) para o desenvolvimento das economias mais pobres.


Existem atualmente seis propostas de liberalização dos serviços energéticos sendo debatidas na Organização Mundial do Comércio (OMC). Os Estados Unidos querem uma abertura total do setor, enquanto países como a Venezuela defendem uma liberalização que respeite o grau de desenvolvimento das economias mais vulneráveis.


Segundo a chefe da divisão de Comércio Internacional da Unctad, Simonetta Zarrilli, o Brasil é um dos poucos países em desenvolvimento que possui um setor de serviços energéticos. "A maioria das economias em desenvolvimento precisa importar os serviços", explicou Simonetta. Mesmo assim, a existência do setor não impediu que a crise ocorresse. "A experiência da crise energética no Brasil será valiosa para que outras governos consigam evitar a falta de energia em seus países", afirmou a especialista.


Na avaliação da Unctad, a falta de energia é um dos fatores que contribui para pobreza nos países em desenvolvimento. A estimativa é de que um terço da população mundial deixa de produzir o que poderia por falta de energia.


Enquanto isso, 1 bilhão de pessoas nas economias avançadas consomem 60% dos recursos energéticos mundiais.


Apesar do desequilíbrio de consumo entre os países e a falta de energia em alguns locais, o setor energético é um dos mais lucrativos do mundo.


Somente no ano passado o setor gerou US$ 2 trilhões. Segundo dados do Conselho Mundial de Energia, até 2020 os investimentos no setor devem atingir US$ 30 trilhões.


Diante desse cenário, a Unctad acredita que os países em desenvolvimento serão obrigados a enfrentar um desafio no setor energético: garantir o acesso eficiente e confiável à energia e, ao mesmo tempo, atrair investimentos para os seus mercados.


Enquanto a solução para essa equação não é encontrada, a Unctad tenta alertar os governos de que o setor energético é demasiado importante para ser regulado apenas pelas leis do mercado.








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