Preço do gás boliviano em discussão

EM SEMINÁRIO, PETROBRÁS RECLAMA DAS NEGOCIAÇÕES DO GASODUTOe do PREÇO


O diretor de Gás e Energia da Petrobrás, Ildo Sauer, disse que “o que está faltando é investimento de risco” da parte dos demais agentes do mercado. Ele participou do seminário “O Mercado de Gás no Brasil – Perspectivas para os próximos 10 anos“, promovido anteontem pelo jornal “Valor Econômico”. Segundo ele, “dizer que há crise de gás no Brasil é um acinte à inteligência. Se há uma crise aqui é do espetáculo do crescimento do mercado de gás“. Sauer informou que o mercado de gás no país tem crescido 20% ao ano desde 1998 e o consumo deverá passar de 50 milhões de metros cúbicos por dia em 2005 para 99 milhões em 2010. O diretor de Gás e Energia da Petrobrás disse que não haverá mais modelos de viabilização de projetos como foi o do Gasoduto Bolívia-Brasil, no qual a Petrobrás investiu no total 90% dos US$ 2 bilhões aplicados e ficou com 51% das ações, enquanto os demais sócios (um grupo de empresas internacionais) aplicaram US$ 180 milhões e ficaram com 49% do capital. “Esse tempo acabou“, garantiu.


Sauer afirmou também que não haverá interrupção no fornecimento dos 30 milhões de metros cúbicos diários de gás natural contratados à Bolívia e acrescentou que os bolivianos sabem que não há condições de aumentarem os preços do gás porque do lado brasileiro a Petrobrás tem contratos independentes com as distribuidoras que não permitem o repasse. Disse ainda que as termelétricas que têm contratos com a Petrobrás serão abastecidas e quando o fornecimento para elas passar de 20 milhões de metros cúbicos diários o atendimento será feito com gás natural liquefeito (GNL). Valor



Ministro da Bolívia quer dobrar preço do gás


A Bolívia tenta fechar com o Brasil um acordo para exportar seu gás natural ao preço de US$ 7,5 por milhão de BTUs (British Termal Unit, medida de energia), disse ontem o ministro boliviano dos Hidrocarbonetos, Andrés Soliz Rada. O Brasil importa hoje cerca de 25 milhões de metros cúbicos de gás natural da Bolívia por dia e o Brasil paga cerca de US$ 3,20 por cada milhão de BTUs (um milhão de BTUs equivale a cerca de 28 metros cúbicos).

O aumento levaria o preço do produto comprado pelo Brasil a mais que o dobro do praticamente atualmente, admitiu Soliz. Ele explicou, no entanto, que as expectativas bolivianas estão fundamentadas no preço que pagam os consumidores brasileiros por combustíveis “poluentes” e nos US$ 7 que o Chile está disposto a pagar por milhão de BTUs do gás que pretende importar da Indonésia.

“Perguntamos aos brasileiros se não é correto da nossa parte pedir também o preço de mercado, do mercado que eles têm com sua gasolina poluente”, disse Soliz. Já no dia 2 deste mês –um depois da nacionalização das reservas de petróleo e gás natural do país – o vice-presidente boliviano, Alvaro García Linera, defendeu o aumento nos preços praticados. Segundo Soliz, a negociação com o Brasil para que aceite o nível de preços pretendido pelo governo boliviano será difícil e não será possível chegar a um resultado “da noite para o dia”.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, contudo, disse, também ontem, que instruiu sua equipe a concluir nesta semana as negociações com Brasil e Argentina sobre novos preços do gás natural boliviano. Essas negociações, referentes também a possíveis aumentos dos volumes de gás que compram os dois países vizinhos, são fundamentais para as expectativas de crescimento da Bolívia, afirmou Morales a milhares de camponeses na cidade de Escoma, às margens do lago Titicaca.

Morales disse que instruiu na segunda-feira o ministro de Hidrocarbonetos, Andrés Soliz, e o presidente da petrolífera estatal YPFB, Jorge Alvarado, “que nesta semana têm de acabar a negociação para melhorar o preço desse recurso natural (do gás)”. (Agências noticiosas/Valor)