PRIVATIZAÇÕES RENDERAM APENAS US$ 12,6 BILHÕES, MOSTRA ECONOMISTA
A arrecadação líquida do governo com o processo de privatização foi de apenas US$ 12,6 bilhões, em dez anos, o equivalente a 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB). O cálculo é do economista Márcio Pochmann, da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).
Segundo o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no período de 1989 e 1999, a privatização gerou receitas da ordem de US$ 74,5 bilhões, além de transferência de US$ 18,1 bilhões de dívida que era do setor público para o setor privado.
Para chegar ao resultado líquido, Pochmann subtraiu do total de US $ 92,6 bilhões (15,9% do PIB) todas as despesas que o governo teve das estatais, estimadas em US$ 80 bilhões. Só com demissões, ele calcula que foram gastos US$ 15 bilhões. Entre as despesas, Pochmann incluiu também investimentos para preparação das empresas para o leilão, financiamento subsidiados pelo BNDES e aceitação de moedas podres como parte do pagamento das compras das empresas.
Além disso, as empresas do setor que foram privatizadas cortaram 546 mil postos de trabalho no período de 1989 a 1999, segundo Pochmann. A redução significa uma queda de 43,9% no total de empregos do setor no período.
Na pesquisa, foram analisadas 490 empresas e autarquias. O economista tomou por base dados do Ministério do Trabalho e incluiu dados anteriores à privatização.
O Ex-presidente do BNDES, José Pio Borges, disse ontem que a discussão antecipada da sucessão presidencial deve trabalhar a privatização das geradoras federais de energia elétrica. "Na medida que você não se compromete com prazos é por que o compromisso ainda não é total. Acho que há intenção, mas a falta de prazo pode alterar o calendário".
Durante a instalação da Câmara Brasileira de Investidores em Energia Elétrica (CBIEE), Borges cobrou pressa nas privatizações do sistema de geração e transmissão de energia. "A maior parte de geração e transmissão está nas mãos do Governo. Isso é indesejável. É fundamental que a privatização continue". As empresas, segundo ele, tem potencial de investir US$ 10 bilhões por ano no setor.
O ministro Rodolfho Tourinho, também presente, afirmou que o processo de privatização está "caminhando", mas não falou em cronograma. Há poucos dias, o ministro garantiu que a venda de Furnas, a mais esperada, ocorrerá em 2001. O governo estuda modelo de pulverização de ações da estatal.
Para o ex-presidente do BNDES, hoje diretor do Banco Liberal, o governo refreou o ritmo das privatizações depois da desvalorização cambial ocorrida em janeiro de 99, por causa na queda da credibilidade do governo Fernando Henrique Cardoso.
Fonte: o Globo De: Fabia Prates