Quem lê a primeira notícia, até acha que é uma boa solução. Como é que não pensaram em um mercado futuro para a energia elétrica no Brasil? Num esforço para salvar o falido sistema de mercado aplicado ao caso brasileiro, exemplificam com o NordPool, dos países Escandinavos. O mercado só lida com incertezas até certo ponto, e aí, a diferença para o caso brasileiro é simples e enorme! Na Noruega, a relação entre a maior afluência e a menor não passa de 3 para 1. Lá, basta aero-fotografar as geleiras para saber quanto de energia hidráulica vai se dispor no ano seguinte. No Brasil, experimentem comparar 1983 com 1971. Essa relação é de 7 para 1! Não adianta fotografar as nuvens. E ai? Vão chamar a mãe -Dinah? A não ser que cada agente tenha um modelo de simulação da operação igual ao do ONS, os preços do mercado futuro terão tanta credibilidade quanto a honestidade de um Jader Barbalho.
Enquanto isso, a EDF dá as cartas! Declara que não vai investir! Essa e’a diferença de um sistema estatal e privado. As empresas privadas não suportam 1 ano de prejuízo e declaram logo que não vão cumprir o contrato de concessão!
Mercado terá em 2002 negociação feita na BM&F
Bolsa planeja negociar até 360 MW/h, mas indefinição do MAE pode atrapalhar planos
IRANY TEREZA
RIO A diretoria da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) irá definir nos próximos dois meses a data do início das operações com contrato futuro de energia. Segundo Antônio Bueno, economista da BM&F, "tudo leva a crer que será em janeiro". A bolsa pretende negociar a contratação de 360 megawatts/hora por mês.
A indefinição sobre o funcionamento do Mercado Atacadista de Energia (MAE), que regulará o mercado à vista e cujo preço serviria de referência para o mercado futuro, no entanto, tem deixado dúvidas quanto à formação de uma bolsa de negociação de contratos futuros para o setor.
"Como fazer hedge (proteção) para um contrato futuro sem referência de preço?", questiona do coordenador do Grupo de Crise Energética da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Adilson de Oliveira. "Além disso,uma bolsa de contratos futuros necessita de um mercado de fato, não de um fictício, como o atual."
Oliveira e Bueno participaram ontem de seminário na Firjan no qual foi apresentada a forma de funcionamento do Mercado Atacadista Escandinavo (Nord Pool). Anders Houmüller, diretor da bolsa que negocia contratos de energia na Noruega, Suécia, Finlândia e Dinamarca, explicou que o sistema utiliza metodologia semelhante à das bolsas de valores, com registro, com 24 horas de antecedência, das ofertas de energia e da demanda para formação de preço à vista, feito por cruzamento de dados em computador.
No ano passado, passaram pela Nord Pool contratos no valor equivalente a R$ 3,5 bilhões. Resultado 28% superior ao de 1999. A bolsa iniciou operação em 93, na Noruega, que tem 99% de sua energia proveniente de hidrelétricas. A incorporação dos outros países escandinavos ocorreu ao longo de seis anos, sem alteração das regras iniciais, totalmente reguladas pelo mercado. (Estado de S. Paulo – 9/10)
EDF condiciona investimentos na Light à recuperação do setor
PAULO CABRAL e MÔNICA CIARELLI
RIO – O presidente da Light, Michel Gaillard, já havia antecipado, no dia 3, que a controladora EDF decidira adiar, "sem previsão de data", cerca de R$ 50 milhões em investimentos programados para 2002.
Esses recursos estavam destinados a expansões das subestações da companhia, que dependiam do aumento do consumo de energia em sua área de concessão.
Segundo Gaillard, essa verba só será aplicada no Brasil se houver uma reação do mercado, ou seja, um cenário diferente do atual momento de desaceleração.
"Essa é uma posição cautelosa. Vamos esperar para ver o comportamento do mercado", disse o executivo, que defendeu uma "recuperação tarifária" para que a empresa retome a evolução da margem de lucro necessária à obtenção de novos financiamentos.
Gaillard, que participou de uma exposição promovida pela empresa na quarta e quinta-feira da semana passada na Marina da Glória, estimou uma perda de receita em torno de 10% este ano, por causa do racionamento de energia. A queda no segundo semestre deve superar essa média, chegando a 20%. Segundo ele, a perda não é tão preocupante, e sim a queda da margem de lucro da empresa.
O executivo confirmou, entretanto, que todos os investimentos em geração de energia serão mantidos. Com a nova programação, a Light pretende investir R$ 400 milhões em 2002, valor ainda superior aos R$ 360 milhões aplicados este ano na distribuição e transmissão de energia. (Estado de São Paulo – 9/10)
Nos sete primeiros dias deste mês recuperação foi de 0,47 ponto
Nível de água de reservatórios sobeDA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O nível de água dos reservatórios das hidrelétricas das regiões Sudeste e Centro-Oeste continua a subir. Nos sete primeiros dias de outubro houve recuperação de 0,47 ponto percentual.
Com isso, o nível de água está em 21,05% -5,34 pontos percentuais acima do previsto pelo governo, o que torna a hipótese de adoção do plano B (feriadão com possibilidade de apagão) remota para as regiões.
Apesar de a economia de energia estar fora da meta nessas regiões -consideradas uma só pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico)-, as chuvas do começo do mês estão ajudando.
A economia está em 17,2%, contra uma meta de 20% em relação aos meses de maio a julho de 2000. As chuvas estão bem melhores: 118% da média histórica, quando o esperado era 75%.
No Nordeste, no entanto, a situação é complicada. A economia está bem abaixo da meta fixada (11,1%), não está chovendo e não há mais como transferir energia de outras regiões. Essa situação poderá levar o governo a elevar a meta de redução do consumo, hoje de 20% em relação à medida consumida entre maio e julho do ano passado. Outra possibilidade é a decretação de feriado toda segunda-feira até novembro.
O governo chegou a se reunir com grandes consumidores industriais da região, mas apurou que eles estão cumprindo as metas. O aumento de consumo foi verificado nas classes de consumo residencial e comercial.
Os reservatórios das hidrelétricas da região Nordeste estão com 11,4% de sua capacidade. Desde segunda-feira passada os reservatórios perderam 11,63% de sua capacidade. Mesmo assim, houve pequena recuperação no fim de semana no nível de água em relação ao que o governo esperava.
Folha – 9/10
Financiamento a elétricas pode ter bancos privados
Roberto Rockmann, De São Paulo
As linhas de financiamento que o governo deve criar para cobrir os prejuízos que as elétricas vêm tendo poderão ter participação de bancos privados e deverão incluir as geradoras também no pacote. "As linhas poderão não ser do BNDES; até já recebemos ofertas de instituições privadas", disse o secretário de Energia de São Paulo e membro da Câmara de Gestão da Crise de Energia, Mauro Arce.
Foto: Cacalos Garrastazu/Valor
Arce: "Já até recebemos proposta de banco privado para linha das elétricas
O financiamento, cuja principal função seria ser encarteirado no balanço das empresas, reduzindo os impactos da redução do consumo de energia nas contas das companhias, estaria ligado a um aumento tarifário, que serviria para pagar o financiamento.
As distribuidoras dizem que o montante da linha deveria chegar a R$ 5,7 bilhões. No entanto, o governo deve anunciar um valor inferior, próximo de R$ 3,5 bilhões. A linha deve ficar pronta até o fim desse mês, e a primeira alta tarifária seria em dezembro.
Porém, não deverá sair uma reestruturação tarifária ampla, eliminando os subsídios cruzados e fazendo os grandes consumidores de energia pagarem mais, o que os incentivaria a gerar sua própria energia. "Ainda estamos trabalhando na reestruturação, que deverá ser feita paulatinamente e não tem data definida", afirmou Eduardo Ellery, diretor da Aneel.
Mais uma vez, uma ampla reestruturação tarifária, que seria fundamental para tornar o setor mais competitivo, deve ser deixada na gaveta. "Tende-se a fazer um meio termo, o que é o pior dos mundos", disse um especialista.
O governo também luta para revitalizar o setor e definir com mais clareza o papel da Aneel. Porém, pouco avanço foi feito nessa área. "É preciso consolidar o modelo e não criar um novo; a falta de regulação é um risco embutido pelo investidor", afirmou o presidente da EDP, Eduardo Bernini.
"Estamos trabalhando ainda em várias questões, já que em um primeiro momento privilegiamos a saída da crise", disse Sérgio Bajay, do Ministério de Minas e Energia. Para Bernini, faltam muitas decisões que podem brecar investimentos nos próximos anos.
"Por exemplo, ainda não sabemos como ficará a questão do consumidor livre, o que vem sendo debatido desde 1999", comentou. Luciano Santos, da Aneel, rebateu apontando que essa questão, além de ainda estar em audiência pública, está ligada a outras do setor.
Enquanto tenta resolver os problemas do setor, os reservatórios ado Nordeste preocupam. Segundo especialistas, dificilmente a região escapará da adoção de medidas adicionais de redução. A GCE se reúne hoje para discutir o quadro na região e alta tarifária.
Para tentar evitar a aplicação do Plano B na região, o governo está se reunindo com industriais do Nordeste, para ver como é possível reduzir ainda mais o consumo de energia e preservar os reservatórios. "Estamos discutindo a possibilidade de transferência de produção industrial e de aumento de geração própria", afirmou Arce. (Valor 9/10)