Reconstruindo o setor elétrico – Artigo J. L. Alqueres

O setor elétrico vive uma situação que beira o caos.

 O modo de superar este estado é motivo de grande especulação nas rodas técnicas e empresariais. Há áulicos (às vezes ignorantes) detentores de postos públicos que afirmam estar tudo bem porque não houve (ainda) racionamento.

 Frente a momentos difíceis como o atual existem sempre três caminhos.

 O primeiro é a “freada de arrumação”, solução impensável numa economia da nossa complexidade e estágio de desenvolvimento social que tem que continuar crescendo para criar empregos e necessita energia a preço competitivo.

 O segundo é o que os franceses chamam de uma fuite a l’avant (fugir para frente), ou seja, avançar do jeito possível, o que vimos fazendo com casuísmos e ajustes populistas, para ver se o problema se resolve com uma ou outra pedalada. Isto resultou no lamentável quadro vigente.

 Uma terceira via seria um passo inteligente para trás, cortando-se algumas das novas e mal resolvidas institucionalidades criadas pelo Governo e arrumando a casa para atrair investimentos.

 O back to basics (volta ao básico) dos americanos, imporia no primeiro momento a volta ao velho regime das tarifas pelo custo, naturalmente com price caps (tetos limite) e aperfeiçoamentos na governança, compliance e regulação.

 O investimento em engenharia e planejamento, com pré-equacionamento das questões socioambientais e obras licitadas a partir de projetos básicos bem detalhados, permitiria manter na geração “o modelo de leilões da Dilma”, que é bom.

 O abandono do investimento em engenharia resultou na indústria de “termos aditivos” de contratos, responsável por enormes prejuízos para Petrobras e Eletrobras.

 Esse conjunto de medidas permitiria de imediato uma enorme redução no custo de expansão do sistema e de sua operação, por mitigarem riscos que contaminam toda cadeia de produção.

 Naturalmente, se aceleraria as privatizações que neste regime teriam a presença de mais investidores estratégicos, conhecedores desta forma de atuar.

 Os mecanismos de comercialização, encontro de contas, despacho integrado, etc. seriam evidentemente mantidos e teriam um funcionamento em ambiente bem mais saudável.

 Os leilões de hidrelétricas deveriam ser por bacia hidrográfica e os de transmissão por subsistemas (e não por linhas isoladas).

 Além dos benefícios imediatos da adoção dessas medidas, em poucos anos se poderia voltar a introduzir mecanismos competitivos que resultassem em melhores preços para os usuários finais e empresas mais sustentáveis.

Categoria

7 respostas

  1. Prof. Feijó

    Concordo com o seu posicionamento mas não vejo no momento nenhuma luz no fim do túnel.

  2. Não pretendia mais voltar a me pronunciar sobre as questões do setor elétrico, cansado de ver tantos absurdos perpetrados nestes últimos vinte anos no setor elétrico brasileiro, que cada vez mais se afunda num lamaçal movediço praticamente sem saída, com enormes prejuízos para o País.
    Mas, diante dessas proposições totalmente sem sentido, feitas pelo Senhor Alqueres, pessoa que direta ou indiretamente participou ativamente de todos esses vinte anos do continuado processo de transformação que acabou levando o setor elétrico nacional ao estado de destruição em que se encontra (é o articulista quem afirma que o setor está destruído, pois só necessita de reconstrução aquilo que está destruído), faço questão de vir apoiar o pronunciamento acima explicitado pelo Companheiro Olavo Cabral.
    O Senhor Alqueres, independentemente de sua competência profissional, tendo em vista o seu comprometimento pessoal em relação aos interesses em jogo, carece de condições efetivas para opinar sobre uma eventual saída para a verdadeira recuperação do setor tendo como objetivo o atendimento do interesse maior da nação a partir da visão de que energia elétrica é um serviço público essencial e não uma simples mercadoria.
    Enquanto se insistir neste modelo de mercado, não haverá solução.

  3. ERRATA AO PRIMEIRO COMENTARIO :

    – …aceleração das privatizações com a presence…. PRESENÇA

    – …territories militarizadaos……TERRITÓRIOS

  4. COMO ESQUECER CAOTICAMENTE

    O vice-presidente honorário do Conselho Mundial de Energia vem hoje – 5 de junho de 2015 – a O GLOBO. Na primeira parte do texto optou por uma série, não necessariamente em ordem de prioridade e importância, num hermético estilo morde-e-sopra de cenários que acha corretos ou incorretos. Em alguns, taticamente, adere ao pensamento nacionalista. Só taticamente.
    Nesse tom chega a uma denominada terceira via definindo-a como o “passo inteligente para trás”. Quando diz “novas e mal resolvidas institucionalidades criadas pelo governo”, deve referir-se ao governo Lula com Dilma Ministra de Minas e Energia. Talvez nem mesmo se refira à continuidade do modelo mercantil – com retoques – apelidado híbrido – datados de 2003/2004. Essa continuidade ele, no íntimo, apoiou. Ou as devastadoras medidas provisórias de 2013. Mudanças inesperadas ao recomendado no documento da campanha eleitoral de 2002 elaborado por muitos especialistas para o Instituto da Cidadania, nos quais salvou-se a criação da EPE ( mal chamada de empresa de pesquisa energética quando é de planejamento) . Quem bom !!
    Ainda no morde-e-sopra, agora mordendo, denuncia o abandono do investimento em engenharia como o grande responsável pelos danos a Petrobrás e Eletrobrás. Nesse ponto chega ao seu tópico predileto e básico: uma natural ( NATURAL??) aceleração das privatizações com a presence de investidores estratégicos conhecedores dessa forma de agir. Como o texto precedente é caótico, não ficou claro porque seriam “conhecedores dessa forma de agir”. Mas temos uma pista. Conhecedores como a diretora visitadora da infefável empresa energétca ENRON que mereceu elogios do articulista naqueles trágicos anos finais do século passado , quando nasceu e foi institucionalizada no Brasil a serpente da privatização que o articulista apoiou sem restrições , navegando nela confortavelmente, com enorme sucesso estatal e, a seguir, privado.
    Ao concluir o artigo não podia deixar de reiterar os leilões hidrelétricos por bacia e por subsistemas de transmissão opiniões essas que já tinhamos ouvido dele bem recentemente. Obviamente postos nas mãos dos tais “conhecedores” das virtudes do mundo neoconservador, sobretudo no exterior.
    Como o esquecimento é regra, nem mesmo mencionou a eliminação do planejamento, como conceito e atividade permanente, no duplo biênio negro 1995-2002 e , a reboque , o “abandono do investimento em engenharia ” que tanto o preocupa. Esqueceu também – não sabemos por que – as suas idéias elaboradas em entrevista recentíssima sobre os territories militarizados autônomos e privatizados para geração nuclear.

    Olavo Cabral Ramos F.
    Conselheiro do Clube de Engenharia – Brasil
    07/06/2015.

    1. Olavo,
      Seria você oesmo engo. que trabalhou em Furnas muitos anos, no tempo de Osvaldo Otero, Carlos Augusto Peixoto entre outros grandes engos do DEL?

      1. SOU EU MESMO

        QUE FUI ADJUNTO DO CARLOS AUGUSTO DE 1969 ( tinha 31 anos) A 1974, CHEFE DO DEL.T DE 1974 ( tinha 36 anos) A 1978; SUPERINTENDENTE DE ENGENHARIA DE TRANSMISSÃO DE 1978 ( tinha 40 anos) A 1990.
        APOSENTADO PSEUDO VOLUNTARIAMENTE EM ABRIL DE 1991 ( tinha 53 anos)
        ENTREI EM FURNAS EM 01 DE JUNHO DE 1962 ( tinha24 anos e um ano e meio de formado)

        VALE A PENA TER SAUDADES. FOMOS DE UMA GERAÇÃO JOVEM QUE FEZ COISA INÉDITAS !!!!

        ABRAÇOS

        OLAVO

        1. Como gestor da página do Ilumina, cargo que nunca postulei e que me dá algum trabalho NÃO REMUNERADO, diga-se de passagem, peço aos Drs Olavo e Campbell que troquem esse tipo de mensagem entre si. O assunto em pauta são as propostas feitas pelo Dr. Alqueres para um setor elétrico em estado de deterioração contínua.

Deixe um comentário para José Carlos Rosa e Silva de Abreu Vasconcelos Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *