Comentários ao longo do texto da reportagem.
O aumento médio de 12,36% proposto pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para as tarifas de energia da Light, a partir de março, vai ajudar a desalavancar financeiramente a distribuidora fluminense. Segundo a presidente da companhia, Ana Marta Veloso, com a nova tarifa, o nível de endividamento (medido pela relação dívida líquida com Ebitda) em 12 meses sairá do patamar próximo aos covenants (limites que, se forem descumpridos, podem acionar o pagamento antecipado de dívida) para um número um pouco acima da média do setor.
Comentário do ILUMINA: Mais um aumento acima da inflação projetada. Mais uma vez o setor elétrico brasileiro com seu caos setorial minando a estabilidade econômica do país.
O processo de revisão tarifária da Light é fruto de um pleito da concessionária de assinar o aditivo aos contratos de concessão, com novas e mais elevadas exigências de qualidade de serviço e de indicadores financeiros.
Comentário do ILUMINA: Qualidade do serviço? Qual? Essa?

A assinatura do aditivo possibilitará a antecipação, de novembro de 2018 para março deste ano, da revisão das tarifas da Light. Na prática, serão reconhecidos na tarifa agora investimentos feitos pela empresa nos últimos anos, como os investimentos realizados em estrutura de energia para atender a Olimpíada de 2016, no Rio. Com o processo, os reajustes anuais da Light passarão a ser em março.
Comentário do ILUMINA: Ai está o exemplo de que os “legados” da Olimpíada de 2016 caem sempre sobre o consumidor que nada tem a ver com a decisão de realizar tal evento. Os responsáveis por essa decisão saem do cenário deixando esse aumento de tarifa sem nenhum benefício. Agência Reguladora? Temos?
Segundo a Aneel, o aumento médio de 12,36% inclui, além do reconhecimento desses investimentos recentes, as despesas com a remuneração às transmissoras por indenização de investimentos feitos em ativos antigos e ainda não amortizados, que terá início em junho, entre outros itens.
Comentário do ILUMINA: É quase impossível encontrar uma decisão que tenha trazido tantos prejuízos ao país como a “voluntariosa” Medida Provisória 579 de setembro de 2012 (governo Dilma). Essa “indenização” é fruto direto dessa intervenção. O pagamento não altera a derrocada financeira da Eletrobras. Ou seja, mais tarifa e empresas públicas em derrocada financeira.
Ana Marta, que participou ontem de audiência pública sobre o processo de revisão tarifária da empresa, ressaltou que, se for considerado o movimento junto com o reajuste tarifário anual aplicado pela Aneel em novembro de 2016, o efeito para o consumidor residencial é de uma queda de 4,2%.
Com relação à tarifa das distribuidoras, José Jurhosa Júnior, diretor da Aneel, explicou que o trabalho da agência é definir uma tarifa justa. “Tarifa justa não é uma tarifa barata. Mas é aquela que cubra os custos e que melhor represente o serviço que a distribuidora propõe oferecer”, disse.
Comentário do ILUMINA: A tarifa da Light sem o aumento é de R$ 732/MWh. Isso significa aproximadamente US$ 228/MWh, ou US$ 22,8 centavos/kWh. No mapa abaixo, a tarifa das maiores cidades norte americanas (impostos inclusos).

Que tal explicar como a tarifa da Light é o triplo da cidade de Montreal (*)?
Que tal explicar como a tarifa da Light é o dobro da cidade de Miami?
Que tal explicar porque a tarifa da Light só não é maior do que Nova York, Boston e São Francisco?
Isso é tarifa “justa”?
(*) O Sistema de Quebec é o mais semelhante ao brasileiro com seus grandes reservatórios.
Com relação ao índice de perdas de energia, um dos principais problemas da área de concessão da Light, a Aneel informou que o indicador da N gr está em 24%, contra os 20% determinados pela autarquia. Segundo a distribuidora, as perdas totais da empresa são influenciadas principalmente pelas perdas comerciais, os chamados “gatos”, em áreas dominadas pelo tráfico de drogas. De acordo com a Light, 23% de todo o volume de energia furtado no país ocorrem na área de concessão da distribuidora. O volume total de energia furtada da Light equivale ao consumo de energia de todo o Estado do Espírito Santo durante um ano.
Comentário do ILUMINA: A energia “roubada” é paga pelos cidadãos que pagam suas contas. As perdas elétricas decorrentes da bagunça dos postes da fotografia acima estão misturadas com o roubo. De certo modo, é bastante confortável para a Light ter a sua ineficiência sob o argumento de energia roubada.
Todos esses problemas demonstram que as cidades brasileiras estão à mercê de empresas de serviço público que contam com a total ausência de fiscalização de agência reguladora.