O estudo abaixo foi feito a pedido do jornal O GLOBO. Uma reportagem publicada hoje (25/04) mostra os resultados. (Sugerimos ler os comentários postados logo abaixo do estudo para esclarecimentos ainda maiores)
- O governo precisa explicar como chegamos a esse patamar de tarifas MESMO COM AS USINAS DA ELETROBRAS PRATICAMENTE “DOANDO” ENERGIA. O ILUMINA, atendendo à reportagem de Ramona Ordonez, simplesmente mostra os dados.
- Outro aspecto muito importante é que essa comparação do preço da energia ao salário não deve ser entendida apenas com a visão do consumo direto do assalariado. É preciso lembrar que em praticamente todos os produtos de consumo há kWh “inseridos” na fabricação do mesmo. O mesmo vale para serviços. Poderíamos dizer que, se kWh fosse uma moeda, o brasileiro está cada vez mais pobre.
- Chamamos a atenção para o fato dos salários estarem corrigidos pela técnica de Paridade do Poder de Compra (Purchase Power Parity) que indexa os salários de cada país a uma cesta de produtos. Portanto, o dado brasileiro já está corrigido para cima, uma vez que, relativamente a outros preços, o poder de compra é maior do que a simples conversão do SM em US$.
Os dados da comparação tarifária já estavam feitos no link abaixo:
http://ilumina.org.br/mais-um-vexame-brasileiro/
Usamos uma base de dados consistente com a comparativa de preços residenciais em países da OCDE, fizemos uma simples conta utilizando o documento “Minimum wages around the world” que compara salários mínimos em US$/hora sob o critério PPP (Purchase Power Parity – https://en.wikipedia.org/wiki/Purchasing_power_parity#OECD_comparative_price_levels)

Como o Brasil não faz parte da OCDE, utilizamos a estimativa citada no Wikipedia, também sob o critério PPP (2,12 US$/hr).
Ao fazer essa análise, o vexame brasileiro é bastante ampliado, pois, comparado ao salário mínimo, o Brasil é o país com a energia elétrica mais cara entre os países listados.
Mais uma vez, chamamos a atenção para a comparação entre Canadá e Brasil, países com semelhanças entre seus sistemas elétricos (grandes reservatórios e longas linhas de transmissão). O brasileiro que ganha salário mínimo precisa trabalhar 111 horas para “comprar” 1 MWh. Um canadense que recebe salário mínimo só precisa trabalhar 16 horas.

Obs: Alguns países constantes da tabela comparativa de tarifas não estão presentes aqui porque não possuem salário mínimo oficial. (Noruega, Itália, Suécia, Finlandia, Suiça e Dinamarca).
Voltamos a salientar que as 111 horas se referem ao preço praticado sob a intervenção da MP 579. Nesse preço (US$ 236/MWh), há a energia das usinas da Eletrobrás que vendem por menos de US$ 10/MWh. A empresa acaba de amargar um prejuízo de R$ 14 bilhões. Portanto, caso os preços intervencionistas não fossem destruidores de valor e continuássemos sem um diagnóstico que identifique as verdadeiras razões da explosão tarifária, quem ganha salário mínimo teria que trabalhar 151 horas para “comprar” 1 MWh (Brasil contábil).
12 respostas
OK Roberto
Nada mais a acrescentar.
1 Ao meu comentário acima, Roberto retrucou com algo que não entendi. Vejamos: eu não prometi nenhum dado. Iniciei
o meu comentário afirmando: “sem discutir a veracidade dos dados”. Significa: não duvido dos dados.
Meu horror é pela subserviência do Ilumina à mídia torpe, IMAGINADO SER ISSO DEMOCRÁTICO.
2 Quanto a troca de mensagens com Feijo, admiro a paciência do Feijó. Allás, o Roberto abriu espaço para um artigo. Feijó, aproveite rápido. Consiga dados ( podem ser aproximados!!) do salario mínimo e da tarifa em 2002. essa referência já diria muito.
TaL como já plotei meu salario anual de aposentado da UFRJ DE 1995 a 2015. ficou praticamente congelado de 1995 a 2002.
É o que vai acontecer no governo Temer. Não é pinguela é VIADUTO PARA O PASSADO.
Não há nos estatutos do ILUMINA nenhuma obrigação de defesas políticas de governo. Como já comentamos aqui, o modelo gestado em 1995 é o mesmo até hoje e, na realidade, muitos dos “projetos” do governo anterior a 2003 foram implantados a partir de 2003. A acusação de subserviência à mídia é absurda e injusta. Também não há nos estatutos do ILUMINA nenhuma obrigação de manter posição contrária à orgãos da imprensa independente do mérito. Talvez fosse útil uma reflexão sobre os fatos que fizeram que, hoje, a situação se apresente de forma totalmente diversa.
Volto a convidá-lo a esclarecer com dados concretos a tese defendida por mais antagônica que seja em ralação ao que publicamos.
Prezado Roberto
Me permita, vou insistir para dizer que numa primeira aproximação não precisaria de nada disso. A conta seria facilitada pelo fato de que em 2002 o dólar andava pela mesma casa de hoje, isto é, próximo dos R$ 4,00, evitando assim possíveis distorções provocados pelo câmbio.
Portanto, repito, numa primeira aproximação de ordem de grandeza, bastaria verificar quem cresceu mais de 2002 a 2015, se o Salário Minimo ou as tarifas.
Caso o Salário Mínimo tenha crescido mais, significa que a situação para o trabalhador era pior em 2002.
Caso as tarifas tenham subido mais do que o Salário Mínimo, a situação em 2002 era melhor para o trabalhador.
Repito, este raciocínio é aproximado, mas acredito que estaria bastante razoável em relação a realidade dos fatos.
Caro Feijó:
Como disse, acho que com quase 100% de certeza, sua observação é correta.
Entretanto, ao fazer isso, se está desprezando os preços relativos de uma cesta de produtos. Um exemplo simplório poderia ser se a cesta de produtos fosse de apenas de energia e alimento. Se em 2002 alimento estivesse bem mais baixo do que energia o SM de 2002 sob o conceito PPP seria mais alto e o cálculo que você propõe poderia distorcer o PPP.
Se a intenção é mostrar que antes do governo Lula a situação era pior, acredito que seja. Melhor seria também comparar 1995 e 2002.
Entenda que a nossa intenção era mostrar o nosso “vexame” relativo a outros países e a armadilha que está armada CASO SE PRETENDA RECUPERAR A CAPACIDADE DE INVESTIMENTO DA ELETROBRAS. Como o governo não quer enfrentar as causas do aumento tarifário, só sobra manter o desmonte da Eletrobras. Esse é o grande dilema! Independente de ser estatal. O que foi desmontado na intervenção tarifária de 2013 foi a capacidade de auto financiamento do setor.
A inserção do Salário Mínimo foi feita depois da consulta da jornalista. Se outros países também têm esse limite mínimo para o salário, acho totalmente válida essa comparação.
Como você sabe, o ILUMINA está aberto a artigos que mostrem outras características que tenham ficado oclusas nesse artigo.
Grato pela observação.
Roberto
Eu acho que bastaria ver os números referentes ao Brasil, isto é, fazer a comparação entre o resultado obtido para 2015 e o que teria ocorrido com a mesma relação com os valores de 2002. Não precisaria considerar os demais países.
Feijó:
O problema é o PPP. Veja o valor associado ao Brasil em US$/hora. Pegue o SM válido em 2015 e faça a conta em US$ e divida por 40 hs por mês. Vai dar um valor muito menor. Eu não tenho o PPP de 2002.
Roberto
Como você sabe, sempre fui um crítico feroz do modelo mercantil que vigora no setor elétrico brasileiro desde 1995 (implantado por FHC e “aprimorado” por Lula/Dilma), que em pouco mais de dez anos foi capaz de fazer as tarifas passarem das menores do mundo para o lado das maiores.
Depois de por muitos anos escrever inúmeros trabalhos (inclusive publicados no site do Ilumina) fazendo críticas e apresentando sugestões sem que houvesse qualquer interesse da parte dos setores responsáveis, como você também sabe, faz cerca de dois anos que desisti de continuar dando murro em ponta de faca. Parei de escrever, de brigar.
Mas, continuei procurando me manter plenamente informado sobre o que acontece no setor, inclusive acompanhando todo o seu trabalho no Ilumina. Quando você divulgou este seu estudo no dia 04 de abril passado, pensei em lhe fazer um pedido (pergunta), mas desisti. Agora, considerando a repercussão da questão, resolvi fazer.
Será que você poderia fazer estas mesmas contas (apenas para o Brasil) referindo-se ao ano de 2002? Isto é, salário mínimo de 2002, tarifas residenciais médias de 2002?
Não sei qual seria o resultado. Mas, numa primeira aproximação, considerando-se os respectivos aumentos verificados desde então no salário mínimo e nas tarifas, dá para imaginar que a coisa não seria muito diferente.
Aguardarei o seu cálculo.
Feijó:
Com grande probabilidade você deve ter razão. Eu tinha feito a comparação das tarifas como fiz diversas vezes usando a publicação da Agência Internacional de Energia (Key World) com dados de 2015. A reporter do Globo me perguntou se eu teria alguma coisa sobre a comparação com o salário mínimo. Acontece que a Agência também publica uma comparação de SM em US$/hora. A conta por 100 kWh foi um pedido da reportagem. A minha intenção não era a de parecer uma análise do consumo direto, tanto que na página a unidade é o MWh.
Mas, não sei se você reparou, a conta é feita utilizando a metodologia do PPP que é a indexação do SM a uma cesta de produtos. Portanto, não é tão simples essa comparação. Eu teria que ter o Key World de 2002 o SM de todos os países também em 2002. Um dos produtos da cesta do PPP é a própria energia elétrica que, no caso brasileiro, subiu bastante. O correto seria fazer essa conta lá atrás em 1995, quando se implantou o modelo que arrebenta com o setor até hoje.
Mais uma vez, sem discutir a veracidade dos dados, ficou com horror pela subserviência do Ilumina pelo jornal
torpe, vil , vagabundo que detem o monopolio midiatico no Rio.
E não me venham com comportamento democrático do redator do blog
O ILUMINA passa a esperar os seus dados “verdadeiros”, os quais terá prazer em divulgar.
Roberto
Adicione que o salário mínimo tem que viver pgando a maior taxa de juros entre os países citados!