Análise do Ilumina: Muitas das nossas posições são rotuladas como mera defesa da Eletrobras, como se fizéssemos apenas um lobby da empresa. Esse entendimento não percebe que, ao mesmo tempo em que se destrói o valor da empresa, também se elimina a capacidade de autofinanciamento do setor. A medida provisória 579 conseguiu algo inédito em qualquer sistema elétrico do planeta. Nenhum real destinado a pagar as irrisórias tarifas definidas unilateralmente pelo governo às usinas e linhas atingidas pela desastrada intervenção é capaz de gerar recursos para novos investimentos.
Uma evidência da situação precária da transmissão relatada no editorial do jornal pode ser verificada por qualquer consumidor fazendo um exame de sua conta de luz.

Como se pode verificar no exemplo da conta da Light, a composição percentual da conta mostra que apenas 1% é destinado à transmissão. Chega a ser ridículo que um país de dimensões continentais com um sistema de transmissão que ultrapassa 100.000 km implique num custo de apenas 1% de uma cara conta de luz. Apenas a título de comparação, o sistema de transmissão inglês, num território muito menor, representa 6% de uma conta média residencial. Isso dá conta do nível de destruição dos mecanismos tradicionais de expansão que estão implantados no Brasil.
Editorial
A oferta de melhores condições para as concessões de transmissão de energia não bastou para que o leilão promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) fosse bem-sucedido. Apenas 14 dos 24 lotes oferecidos atraíram investidores e o volume de investimentos comprometido, de R$ 6,87 bilhões, mal superou 56% do total de R$ 12,2 bilhões previsto pela agência reguladora, que esperava a criação de 27,6 mil vagas. A receita anual permitida (RAP) aos vencedores é de R$ 1,36 bilhão, muito inferior ao teto de R$ 2,5 bilhões.
Em resumo, a rede de transmissão continuará insuficiente para atender à demanda. Foram ofertadas 36 linhas de transmissão com 6.097 km de extensão e 27 subestações, em 18 Estados, mas só 3.402 km foram contratados.
Os investidores sempre viram a transmissão como um dos melhores segmentos do setor, propiciando renda estável durante os 30 anos dos contratos. Mas poucos entre os grandes investidores em energia participaram do leilão, a começar da Eletrobrás, em graves dificuldades financeiras, com prejuízo de R$ 14,4 bilhões em 2015 e de R$ 30,6 bilhões entre 2012 e 2015 e que espera um acerto de contas com a União para voltar aos certames.
Com a exceção da gigantesca State Grid chinesa, que arrematou dois lotes, os demais foram vencidos por grupos que já investiam no setor (Alupar e Taesa) e outros de menor porte ou que não haviam participado de leilões anteriores, como WTorre e Pátria Investimentos – que arrematou o maior dos lotes oferecidos, com linhas nos Estados do Ceará, Maranhão e Piauí. O BNDES aumentou de 50% para 70% o porcentual máximo de financiamento dos investimentos, mas nem assim houve oferta para todos os lotes.
Não há dúvida de que o nível de incerteza e a recessão afetaram o certame, admitiu um diretor da Aneel, José Jurhosa. “Mesmo que aparentemente se possa achar que o leilão não foi dos melhores, R$ 7 bilhões é muito dinheiro para o atual momento econômico”, justificou. Mas o presidente do Instituto Acende Brasil, Claudio Salles, notou que a frustração registrada na concessão de dez lotes trará “um gargalo” no sistema de transmissão. Há algumas semanas, o grupo espanhol Abengoa, vencedor de uma linha de transmissão entre Belo Monte e o Rio, pediu recuperação judicial.
Desde 2014 os leilões de transmissão despertam pouco interesse. O quadro só deve melhorar com a volta da confiança na economia.
Uma resposta
A destruição da ELETROBRAS e da PETROBRAS são dois destaques da economia populista do PT de Lula e Dilma