Análise do ILUMINA: A reportagem evidencia o agravamento da situação do setor elétrico brasileiro que ocorre continuamente sem nenhuma reação consistente da própria sociedade.
Alguns motivos da alta permanente estão ligados ao nosso eterno problema de desigualdades que, com uma tarifa sempre em alta, acaba criando subsídios. Afinal como exigir que famílias que recebem menos do que o salário mínimo consigam pagar suas contas de luz?
A outra eterna razão é a culpa de São Pedro. O ILUMINA tem mostrado que esse argumento é um pouco exagerado, pois, em pelo menos 3 regiões, anos bem mais secos que os atuais estão registrados no histórico.
https://www.ilumina.org.br/esses-dados-voce-nao-vera-na-grande-midia/
Como sabemos que a alta tarifária tem outras razões mais estruturais, o ILUMINA faz um pequeno e singelo cálculo para mostrar que o problema não se resume a isso: Como se sabe, a intervenção da MP 579 do governo Dilma em 2012 reduziu da noite para o dia o preço das hidroelétricas antigas. De cerca de R$ 90/MWh, elas passaram a custar algo no entorno de R$ 20/MWh. Uma redução de 78%! (*).
Como se sabe, alguns especialistas defendem a ideia de que a energia deve praticar preço de mercado sem reconhecer amortizações. Portanto, vamos supor que essas usinas, a maioria da Eletrobras, voltassem a cobrar o valor anterior, decidido em leilão de 2004, que, em 2012 já era um preço menor do que de usinas novas. Como eram cerca de 16% da capacidade hidroelétrica, e 12% da capacidade total, os 78% de aumento causariam uma elevação extra de 20%. Portanto, a tarifa da Eletropaulo com impostos e encargos já ultrapassaria R$ 900/MWh, mais do dobro da tarifa Norueguesa e mais do que o triplo da tarifa Canadense de Quebec, dois sistemas fisicamente semelhantes ao brasileiro. Isso mesmo com o US$ a R$ 4!!
As perguntas são: Que outras razões existem, além das citadas na reportagem, para que um sistema de base hidroelétrica tenha preços exorbitantes e incomparáveis aos seus semelhantes? Todo o resto do setor, majoritariamente privado, está cobrando preços razoáveis para um serviço tão essencial? O modelo mercantil está favorecendo os consumidores? E os esqueletos que ainda surgirão, como o GSF? Quem tiver respostas, por favor, faça nos comentários na página.
(*) A receita líquida das usinas foi ainda mais baixa! No entorno de R$ 10. Sem essa intervenção a Eletrobras estaria financeiramente saudável e o argumento de que o tesouro aporta recursos na estatal não existiria.
Energia elétrica. Tarifa teve aumento de 13,79% este ano, enquanto o IPCA entre janeiro e julho ficou em 2,94%; expectativa é de novos aumentos de preços; desde 2015, para não onerar o Tesouro Nacional, os custos do setor são transferidos ao consumidor
Renée Pereira, O Estado de S. Paulo
13 Agosto 2018 | 05h00
A conta de luz já aumentou quatro vezes mais que a inflação neste ano. Enquanto o IPCA entre janeiro e julho ficou em 2,94%, a energia elétrica para as famílias brasileiras subiu 13,79%. A disparada no preço da energia é resultado de uma série de fatores, que inclui falta de chuva, alta do dólar e o crescente peso dos subsídios, encargos e tributos na tarifa elétrica. A expectativa é de que novos aumentos comprometam ainda mais a renda da população.
“A tarifa tem subido de forma preocupante e está chegando ao limite de pagamento do consumidor”, afirma o diretor geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino. Segundo ele, além das questões conjunturais, como o baixo volume de chuvas, outros fatores estão pesando no custo da energia. Um deles é a decisão de elevar a cobrança de encargos na conta de luz para bancar, inclusive, programas públicos que não têm relação alguma com o setor elétrico. Hoje, os penduricalhos na conta de luz beneficiam, por exemplo, produtores rurais, atividades de irrigação, empresas que prestam serviços públicos de saneamento e consumidores de baixa renda. “A tarifa não é um saco sem fundo onde se pode enfiar tudo”, diz Rufino.
Desde 2015, para não onerar o Tesouro Nacional, os custos do setor são transferidos para o consumidor. De lá para cá, a tarifa de energia subiu 30 pontos porcentuais acima da inflação, segundo levantamento feito pela empresa de comercialização e consultoria Safira Energia. Essa discrepância pode se acentuar.
Emendas parlamentares incluídas no texto original da Medida Provisória que destrava a venda das distribuidoras da Eletrobrás podem aumentar o rol de subsídios. Entre as propostas estão a ampliação da tarifa social (para consumidor baixa renda), o aumento do custo das térmicas a gás e a inclusão do custo de transporte de gás natural no gasoduto Urucu-Coari-Manaus na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) – hoje um dos principais encargos cobrados no setor. Tudo isso seria repassado para o consumidor.
Sobrecarga. De acordo com dados da Aneel, em 2014, os encargos tinham peso de 6% nas tarifas; no ano passado, essa participação já havia chegado a 16%. “Ficou fácil transferir tudo para o consumidor”, afirma o presidente da Associação Brasileiras de Grandes Consumidores Industriais de Energia e Consumidores Livres (Abrace), Edvaldo Santana, ex-diretor da Aneel.
Ele não vê chances de redução das tarifas nos próximos cinco anos e explica que a origem de boa parte dos problemas vem da intervenção feita em 2012 pela presidente Dilma Rousseff no setor elétrico. Na época, para reduzir as tarifas em 30%, o governo criou a CDE para arcar com vários custos do setor. A intenção inicial era que o Tesouro arcasse com as despesas. Com a crise fiscal, esse plano foi abandonado e o problema jogado no colo do consumidor.
Para piorar o quadro, o País passou a enfrentar um período de estiagem que reduziu o nível dos reservatórios e obrigou o governo a colocar em operação térmicas movidas a óleo diesel, bem mais caras. Esse problema criou no setor outro rombo bilionário, que é o chamado risco hidrológico.
Para bancar a conta, o governo criou as bandeiras tarifárias, que oneram quem consome mais energia. Além disso, a alta do dólar tem encarecido a energia de Itaipu, responsável por 20% do consumo nacional.
2 respostas
Assunto: Re: Não é só isso
Que o consumidor pague o transporte do gás natural de Coari até Manáus me parece, em princípio, razoável. Esse custo é parte do que custa o gás em Manáus. mas como o consumidor de Manáus não poderia pagar um preço muito elevado, esse custo vai para a CDE, ou seja, todos os consumidores do país (os consumidores livres também?) . E aí vale lembrar que é preciso pagar a linha Tucuruí – Manáus, algo redundante, à primeira vista. E à segunda também. Vai ver que um é projeto da Eletrobrás, o outro é da Petrobrás. E tudo nas costas do consumidor.
Quanto à estimativa de aumento da tarifa da Eletropaulo, caso a energia cotizada aumentasse para um valor semelhante ao custo de expansão, o reflexo nas tarifas dependeria do que se fizesse com esse dinheiro todo. Se, num momento como o atual, cobrisse parte da despesa com combustíveis e da CDE, talvez fosse possível manter o nível das tarifas atuais. O perigo de uma disponibilidade de dinheiro tão grande é que ele seja desviado para outras finalidades que nada tenham a ver com a redução do nível tarifário.
Em seg, 13 de ago de 2018 às 09:29, roberto ilumina escreveu:
http://www.ilumina.org.br/seca-e-subsidios-fazem-conta-de-luz-subir-quatro-vezes-mais-que-a-inflacao-no-ano-estadao/
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Pra que serve a ANEEL?
O Senador Valdir Raupp acabou de indicar o Sr. Efrain Cruz para ser Diretor da Agência. Veja o curriculum desse Senhor, dezesseis anos na CERON como “aspone” era Bombeiro e no último ano estava como Diretor de Gestão das Distribuidoras, CERON e ELETROACRE, essa é a toada do setor elétrico,