Titanic? O jornalista do Valor coloca o contrasenso na manchete da notícia. Aqui, a lei de mercado, que diz que os preços caem quando há uma sobreoferta, não funciona. É preciso também esclarec …

Titanic?


O jornalista do Valor coloca o contrasenso na manchete da notícia. Aqui, a lei de mercado, que diz que os preços caem quando há uma sobreoferta, não funciona. É preciso também esclarecer a polêmica entorno do Valor Normativo, teto de repasse para as tarifas e única proteção do consumidor. No passado, quando havia planejamento no setor, esse valor era conhecido como custo marginal de expansão e era calculado depois de extenso levantamento das diversas opções de novas usinas. Essa fase do planejamento era chamada de inventário. O último foi feito em 1988, o que dá uma idéia do desmonte feito pelos governos neo-liberais da década de 90. Hoje a crença no mercado chegou a imaginar que o novo VN seria definido pelo próprio mercado! Imaginem o que poderia acontecer com esse "laissez-faire" que desvincula esse valor do mundo real. Se o VN fosse muito alto o consumidor estaria desprotegido, se fosse muito baixo inviabilizaria investimentos. Talvez por perceber essas contradições a EDF já está pensando em abandonar o Titanic, que como se sabe, pelo menos afundou com as luzes acesas…



Paris manda a Eléctricité de France analisar a venda da Light (Estadão 27/8)


JOÃO CAMINOTO

Correspondente


LONDRES – O grupo Eléctricité de France (EDF) poderá ter de vender alguns de seus ativos no Brasil, Europa e China, disse o jornal La Tribune, citando fontes próximas à empresa. Segundo o diário, o governo francês solicitou que a estatal avalie a possibilidade de vender a sua subsidiária no Brasil, Light Serviços de Eletricidade, bem como os seus 60% de participação na Usina Laibin B e os 20% na companhia Shandong Zhonghua Power Company, ambas na China.

A EDF também estaria revisando a sua participação na Estag AG, da Áustria, na Graninge AB, da Suécia e nas empresas Bert e Demasz, na Hungria.


O governo francês pretende vender uma lote minoritário das ações da EDF nos próximos dois anos, o que poderá represetnar a maior oferta pública inicial já realizada na Europa.

No mês passado, o diretorexecutivo da empresa, François Roussely, disse que a EDF poderia registrar perdas neste ano por causa da desvalorização cambial na Argentina e a perda de consumidores no mercado francês. (AE)



Apesar da grande oferta, preço de energia não cai (Valor 27/8)

Roberto Rockmann
, De São Paulo


Um ano após o racionamento, sobra energia no país. Embora ainda muitas incertezas rondem os leilões das geradoras federais, marcados para dia 16 de setembro, especialistas apontam que eles deverão ser marcados pelo baixo apetite das elétricas. A demanda em queda e o consumo em níveis semelhantes aos do ano passado deverão fazer com que os lances fiquem abaixo do Valor Normativo (VN) – teto de repasse de custos às tarifas.


A maioria das projeções aponta que os lances fiquem em 0,8 do VN, que hoje segundo cálculos de especialistas estaria em R$ 90 o MWh e não nos R$ 72 o MWh, conforme resolução da Aneel. O valor atual, segundo executivos, não incentivaria investimentos. Com isso, o setor ainda espera um novo VN.


Mesmo com a sobra de energia, as tarifas não vão cair. A alta do dólar, que ultrapassou a cotação de R$ 3, vai impactar os preços principalmente no próximo ano. Os leilões também vão pressionar as tarifas, mesmo com lances menores que os originalmente previstos. Isso porque as cotações das ofertas devem ficar próximos de R$ 80 o MWh – valor até 30% mais alto que os contratos atuais entre geradoras e distribuidoras. Com isso, as elétricas vão buscar repassar esse custo a mais às tarifas.


Outro fator que deve pesar para os consumidores nas contas de luz é a nova metodologia da revisão ordinária de tarifas, que ocorre de quatro em quatro anos para as concessionárias. Circulam no mercado rumores de que o impacto poderia pressionar para cima em mais de 10% as tarifas. Em 2003, mais de 20 distribuidoras deverão ser submetidas a esse processo, cujas discussões devem terminar no próximo mês.


A oscilação dos preços no Mercado Atacadista de Energia (MAE) está fazendo com que geradoras federais tentem negociar com o governo formas de reduzir a liberação de seus contratos no MAE. Elas temem vender o insumo com cotações muito baixas. O preço do insumo no MAE, no Sudeste, está abaixo de R$ 15 o MWh. Nessa semana, o governo deve publicar Medidas Provisórias (MP) regulamentando pontos para os leilões de energia.



ENERGIA (Folha de S. Paulo 27/8)


Luz sobe 14,2% no interior de SP e em MS


A tarifa de energia elétrica sobe hoje 14,21% para 1,71 milhão de consumidores atendidos pela distribuidora Elektro -que opera em 231 municípios no interior de São Paulo e em Mato Grosso do Sul. A distribuidora havia pedido reajuste de 20,28% à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). O próximo aumento em São Paulo é o da Bandeirante, em outubro. O IPCA acumulado nos últimos 12 meses é de 7,51%. O IGP-M, que corrige parte dos custos das distribuidoras de energia, acumulado no mesmo período está em 9,9%. As distribuidoras das regiões Sudeste e Centro-Oeste -como a Elektro- compram energia em dólar de Itaipu. Nesse caso, o aumento de custo provocado pela desvalorização do real é todo repassado para o consumidor. (DA SUCURSAL DE BRASÍLIA)



Elektro é autorizada a aumentar tarifa em 14,21% a partir de hoje (Estadão 27/8)


Empresa tem 1,7 milhão de clientes em São Paulo e Mato Grosso do Sul

GERUSA MARQUES


BRASÍLIA – A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou o reajuste de 14,21% para as tarifas de energia da Elektro Eletricidade e Serviços. O aumento vale a partir de hoje. A empresa atende a 1,716 milhão de unidades consumidoras em 231 municípios de São Paulo e Mato Grosso do Sul.


Segundo a Aneel, a empresa havia solicitado um reajuste de 20,28%. Ao calcular o aumento, a agência levou em conta a variação dos custos que a empresa teve nos últimos 12 meses, incluíndo os custos não-gerenciáveis, como a energia comprada de geradoras, a Conta de Consumo de Combustível (CCC), a Reserva Global de Reversão (RGR), a taxa de fiscalização e os encargos de transmissão. Sobre os custos não-gerenciáveis incide o IGP-M calculado pela FGV.


No cálculo do reajuste da distribuidora foi retirada a parcela da cobertura dos custos de implantação do Mercado Atacadista de Energia (MAE), o que representou redução de 0,218 % no porcentual de aumento. Além disso, houve diminuição de 0,92% na tarifa por conta da redução dos gastos com a CCC, que é um fundo que subsidia a produção de energia pelas usinas termoelétricas movidas a combustíveis fósseis, como óleo diesel, carvão e óleo combustível.


Segundo nota da agência, os porcentuais de reajuste das distribuidoras são calculados com base em fórmula prevista nos contratos de concessão. "Eles são limites máximos, sendo permitido às empresas a aplicação de reajustes em níveis inferiores aos autorizados", diz a nota. As tarifas de fornecimento de energia elétrica são corrigidas anualmente, na data de assinatura dos contratos de concessão. (AE




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