Um debate que vale a pena Cristiano rsponde Roberto, Fico contente com sua atenção e com a resposta, uma vez que, tradicionalmente, opta-se por ignorar completamente opiniões diferentes. Entretanto, vejo-me obri …

Um debate que vale a pena



Cristiano rsponde


Roberto, Fico contente com sua atenção e com a resposta, uma vez que, tradicionalmente, opta-se por ignorar completamente opiniões diferentes. Entretanto, vejo-me obrigado a explicar melhor alguns pontos de meu e-mail, quais sejam: – quanto à desgraça que supostamente atribuo à geração de eletricidade por meio de água, sou obrigado a discordar, utilizando, inclusive seus argumentos.


O Brasil e a Noruega são muito diferentes (e não estou falando de sociedade ou economia). No Brasil os grandes centros consumidores estão concentrados no litoral, e, à partir do estado de São Paulo, começam a existir grandes centros consumidores no interior também. Vc não pode negar que a exploração dos grandes rios dessas regiões já está próxima a seu limite máximo… Ou seja, passa a ser necessário contruir usinas hidrelétricas cada vez mais longe dos locais de consumo. Com isso, aumenta-se e muito o custo de uma obra desse tipo, já que a energia da usina deve ser transportada até os usuários via linhas de transmissão e a demanda nas suas proximidades é minima. Agora, te pergunto: como estabelecer uma rede de manutenção eficaz para mais de 1000km de linha, passando por regiões de preservação ambiental (pantanal, amazônia) de modo a tornar os custos atraentes? É claro que uma hidrelétrica nessas condições deve ser gigantesca, para prover níveis de tensão e potência a (muito) longas distâncias. Ou seja, uma obra extremamente cara, com manutenção e "acessórios" (a linha de transmissão) caros, em um lugar afastado. Não me parece a melhor opção. Além disso, acredito, também, ser possível permitir à iniciativa privada a construção de hidrelétricas em rios menores, com capacidade menor de geração, mais próximas aos centros consumidores. Sem dúvida, a energia gerada por essas pequenas hidrelétricas pode fazer enorme diferença no balanço de demanda/oferta, já que estas colocariam, também, a energia no sistema interligado. Entretanto, pode não ser possível construir hidrelétricas perto de alguns grandes centros. Por que não construir termelétricas?


Outra observação: claro que é necessário construir novas usinas, mas será que devemos (ou podemos) pagar outras Itaipus? Voltando à Noruega: um país abençoado com MUITA água (como o nosso), POUCA gente (diferente do nosso), com uma área povoável MÍNIMA (diferente do nosso), cheio de GELO nos topos das montanhas do país (diferente do nosso) e com possibilidade de explorar esses rios… Assim, fica mais fácil… – Empresas públicas… Essas não existem no Brasil. Aqui só há estatais… Como vc bem disse, nenhuma delas, até agora, foi pública no sentido mais amplo. Isso não quer dizer que deva existir condescendência para com elas, uma vez que, já que é o meu, o seu dinheiro que entra nela, temos que receber, minimamente, um serviço de primeira. Quanto aos preços baixos, isso é fácil: se houver problema com o caixa, é só falar com o chefe que ele aumenta a mesada… Daí a minha opinião de que o poder público é incompetente para gerir negócios (porque, apesar de poder não parecer, fornecer serviço, matéria prima ou energia É um negócio). Outra coisa: não digo que as privatizações ou concessões (como as dos pedágios) foi feita de maneira correta; digo que elas deveriam ser feitas. Os pedágios são caros (sei bem disso, já que pego pelo menos 2 por dia), mas vejo recapeamentos, investimento em ambulâncias e em atendimento mecânico… Convenhamos: o poder público nunca soube, de verdade, quanto custa fazer essas obras, uma vez que elas, tradicionalmente, foram superfaturadas, não cumpridas e outras baixarias. Sendo assim, acho vital que se mude esse círculo vicioso. Claro que tem o preço a se pagar, das vendas mal feitas e concessões desastrosas (Novadutra já pagou o investimento, agora é só lucro…), mas em algum momento, a perda com esses "descalabros" se torna menor que a perda com corrupção. Aceito o seu argumento de que o sistema energético deva ser misto. O Estado deve ter papel regulador e regulamentador, mas também deve prestar serviço de primeira qualidade.


– Sugestões… Esse é um ponto que acho extremamente importante… Vc chegou a supor que eu tivesse engolido a balela da mídia com a desgraça do sistema hidráulico… Significa que opinião dos meios de comunicação foi tão bem difundida que vc não pôde supor que eu tivesse idéias diferentes das deles, que não são técnicos, não têm idéia do que estão falando e também não necessariamente estão em total concordância com suas fontes ou imunes a lobby. Ou seja, vale a máxima "propaganda é a alma do negócio". Assim, embora eu possa admitir falhas na minha navegação pelo site, fica aqui uma sugestão: exponha as opiniões e propostas de solução com maior alarde! Outra coisa: divulgue a ata da reunião do Senado, reduza as possibilidades de seus argumentos serem mal interpretados. "Bote a boca no trombone" com isso também. – Sobre opiniões contrárias, vc há de concordar comigo que não tenho nada contra, senão seria a pessoa mais hipócrita do mundo. Mas também acho (e vc me satisfez plenamente com sua resposta) que vale discussão. Sem ela, fica impossível progredir, tanto eu quanto vc. – Agora eu vou contar uma coisa: era uma vez um país ABUC, que teve uma revolução e o seu líder, deus imortal, levou sua idéia de progresso por muitos e muitos anos. Por incrível que pareça, ficaram contra esse país que perseguiu seus ideais e o deixaram à margem de todos os acontecimentos após a queda de seu aliado e financiador, a RSSU. Assim, apesar de haver, inicialmente, uma visão de prosperidade e igualdade social, no final a esse país ficou a visão de desemprego, falta de manutenção de prédios, pobreza, queda de 50% do poderio militar (!)… Mas, segundo o Grande Líder, am ABUC até as prostitutas têm nível superior (bela invertida, ao invés de dizer que mulheres com nível superior são obrigadas a se prostituir para viver). Depois disso te pergunto: mesmo que não se goste do jogo, pode-se decidir, nos dias de hoje, desistir? De novo: é claro que todos almejam jogar bem, mas quando se está frio, destreinado, é de se esperar que os primeiros momentos sejam conturbados.


O Brasil é uma República jovem, com muito a desenvolver e muito a aprender. Daí, considero os erros atuais partes do aprendizado. Principalmente, teoricamente os erros atuais (e também os acertos) entram para a história e servem para inspirar novos comandos. Também acho que até a oposição deveria se preocupar em fazer com que o país melhore no jogo, uma vez que, apesar de tudo também está jogando do mesmo lado e não vir com a idéia de "tá tudo errado e devemos mudar tudo, tudinho mesmo". Espero ter clareado alguns pontos e quero aproveitar a oportunidade para parabenizar a equipe do Ilumina pelo site. Definitivamente, um site 100%, que admite opiniões diferentes e trata com dignidade e respeito seus donos. Gostei muito de conversar contigo e espero que esses debates possam prosseguir.


Um abraço,


Christiano.


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