Usinas e Vinhos! Usinas hidroelétricas tem alguma semelhança com os vinhos, que quanto mais velhos, melhores. No caso das usinas, quanto mais velhas, mais barata a energia. Isso porque, após 20 anos, os investiment …

Usinas e Vinhos!


Usinas hidroelétricas tem alguma semelhança com os vinhos, que quanto mais velhos, melhores. No caso das usinas, quanto mais velhas, mais barata a energia. Isso porque, após 20 anos, os investimentos já foram quase todos amortizados e o custo de operação delas é quase nulo pois o "combustível" (água + gravidade) é praticamente gratúito. Portanto, desde que o país foi assumindo um matriz hidroelétrica, era óbvio que seria mais inteligente misturar energia das usinas "velhas" com energia das usinas novas para ter alguma modicidade tarifária. É óbvio que uma das maneiras de realizar é através de empresa centralizadora! O governo FHC, tomado pela moda neo-liberal, quase põe tudo a perder pois pretendia fazer o oposto, levar a energia velha para o preço da nova para "viabilizar a competição". Por muito pouco quase perdemos essa enorme vantagem comparativa!


Abaixo está uma lista incompleta das nossas "velhinhas", que vão muito bem obrigado, com quase 30 GW instalados,



Estudo propõe criação de empresa centralizadora


Especialistas, envolvidos no projeto, querem organizar um pool de operações do sistema elétrico

RENÉE PEREIRA


Especialistas envolvidos na elaboração do programa energético do Partido dos Trabalhadores (PT) estão finalizando proposta para a criação de uma grande empresa centralizadora dentro do setor elétrico brasileiro, que incorporaria as atividades do Mercado Atacadista de Energia (MAE) e do Operador Nacional do Sistema (ONS). Encabeçado pelo professor da Universidade de São Paulo (USP), Ildo Sauer, o trabalho propõe aproveitar a estrutura jurídica da Comercializadora Brasileira de Energia Emergencial (CBEE), uma estatal criada para negociar a energia das usinas móveis, que originou o seguro-apagão. "Esse será o destino útil para um órgão usado para fazer maldades", destaca Sauer.


Segundo ele, a idéia é organizar um pool de operação do sistema elétrico com quatro diretorias distintas: planejamento, operação, desenvolvimento e comercialização. Esta última, de acordo com a proposta, seria responsável por todos os contratos de energia entre geradoras e distribuidoras. Ou seja, a empresa compraria a eletricidade das geradoras e revenderia para as concessionárias a preços bastante atraentes, garante Sauer.


Isso valeria tanto para as geradoras estatais como para as privadas que tiverem interesse no sistema proposto. Os novos empreendimentos teriam contratos automáticos com a empresa, pois o programa petista prevê a criação da figura do concessionário de serviço público de geração. Nesse caso, o vencedor de uma licitação será aquele que apresentar proposta de menor tarifa da energia, acabando com ágios dos leilões. Em contrapartida, o investidor terá a garantia de venda da energia por contrato firmado com a CBEE.


Segundo o professor, os contratos serão firmados com prazos de dez anos, sendo revisados anualmente. "O mecanismo garantirá a expansão do sistema; hoje o investidor privado não coloca dinheiro no setor porque não tem para quem vender sua energia." O acerto de contas das transações, no entanto, seria feito por uma empresa independente, especializada e dedicada exclusivamente aos serviços de custódia de valores e liquidação de operações, como a Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC).


Outras diretorias – A Diretoria de Operação, que no modelo absorve a estrutura do atual ONS, deixaria de planejar a expansão da transmissão no médio e longo prazos, o que ficaria a cargo da Diretoria de Planejamento. Por outro lado, teria de propor a ampliação e reforços da rede para o governo. Já a área de planejamento, segundo o trabalho, ficará responsável pela expansão da geração, transmissão, estudos de mercado e estudos ambientais. Esse departamento garantirá que os empreendimentos mais baratos sejam realizados primeiro.


Caberia à Diretoria de Desenvolvimento Energético centralizar as contas do setor criadas para incentivar vários programas, como o Programa de Fontes Alternativas (Proinfa), Conta de Consumo de Combustível (CCC), entre outros.

Além disso, esse departamento ficaria responsável pela coordenação, análise e incentivo do uso de eletricidade local e conservação de energia.


Segurança – Segundo Ildo Sauer, o pool de operações do sistema elétrico elimina riscos hidrológicos e de mercado para os empreendedores do setor, que terão mais segurança de investir no sistema elétrico nacional. Ele explica que esse modelo de empresa, ou pool como prefere classificá-lo, vem sendo estudado desde 1995. Mas somente agora existe a chance de ser adotado.


O trabalho foi apresentado para alguns bancos nacionais e estrangeiros e, por enquanto, teve boa receptividade, garante. Sauer explica que para delinear o modelo da empresa ele apenas usou as premissas do programa energético do PT, apresentado durante a campanha eleitoral. "É um detalhamento do plano que a população conhece", afirma ele, ressaltando que a alternativa oferecerá ao consumidor final tarifas baixas, além de promover a expansão e afastar possíveis apagões no País.


Inicialmente se estudou a possibilidade de incorporar esse pool à Eletrobrás, mas por causa das demais atividades da empresa, a opção ficou distante, embora ainda não esteja completamente descartada. "A CBEE é ideal, mas tem uma péssima imagem por causa do seguro-apagão."


Na semana passada, a proposta de criação da empresa foi debatida amplamente entre Sauer, o diretor da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Luiz Pinguelli Rosa, e o coordenador da Coppe, Maurício Tolmasquim. Todos participaram da elaboração do programa energético do PT.


As nossas "velhinhas" Ano
Usina
1924
Ilha dos Pombos
1926
Henry Borden
1947
Mascarenhas de Moraes
1953
Nilo Peçanha
1955
Paulo Afonso
1956
Salto Grande
1959
Cachoeira Dourada
1960
Euclides da Cunha
1962
Pereira Passos
1962
Jacui
1962
Tres Marias
1963
Barra Bonita
1963
Furnas
1965
Bariri
1969
Estreito
1969
Funil
1969
Ibitinga
1970
Boa Esperança
1970
Capivari Cachoeira
1971
Chavantes
1971
Jaguara
1971
Moxotó
1973
Mascarenhas
1973
Passo Fundo
1973
Porto Colômbia
1973
Passo real
1974
Jupiá
1974
Volta Grande
1975
Promissão
1975
Salto Osório
1977
Promissão
1977
Capivara
1977
Marimbondo
1978
Agua vermelha
1978
Paraibuna
1978
Ilha Solteira
1978
Capivara
1978
S. Simão
1979
Sobradinho
1980
Salto Santiago
1980
Foz do Areia
1980
Itumbiara
1982
Emborcação
1982
Nova Avanhandava

BNDES e geradoras divergem sobre garantias financeiras e liquidação fica no ar




MAE trabalha com o período de 5 a 12 de dezembro para realização do processo. Liberação dos recursos será simultânea ao negócio

Oldon Machado, Mercado Livre


29/11/2002


Além das liminares judiciais que travam a liquidação do MAE (Mercado Atacadista de Energia Elétrica), um desacordo contratual pode emperrar ainda mais o negócio, que não tem uma data definitiva para acontecer. As geradoras de energia que serão contempladas com o financiamento do governo – direcionado aos pagamentos no mercado – estão contestando o modelo de minuta do contrato para a liberação dos valores.


O imbróglio envolve as garantias financeiras apresentadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que vai realizar o empréstimo, e as sugeridas pelas geradoras. A minuta inicial proposta pelo banco estatal colocava as receitas das vendas de energia das empresas de geração como garantias para o repasse do empréstimo, estimado em cerca de R$ 1,6 bilhão.


O ponto foi rechaçado pelas geradoras, que nesta semana apresentaram aos técnicos do BNDES o modelo de uma segunda versão para a minuta. Neste caso, as garantias contratuais sugeridas pelos produtores de energia eram os recebíveis do acordo da dívida entre geradores e distribuidores, proveniente do repasse do aumento tarifário de 2,9% e 7,9% para a cobertura do empréstimo do banco.


"Não se pode pensar em ativos e receitas como garantias de repasse, porque não se trata de uma dívida das empresas", alegou Flávio Neiva, presidente da Abrage (Associação Brasileira das Grandes Empresas Geradoras de Energia Elétrica), antes da proposta ser levada ao banco. Se não fosse acatada, segundo ele, certamente haveria problemas para o andamento da liquidação.


E foi o que aconteceu: os técnicos do BNDES recusaram o modelo de minuta de contrato dos geradores, e ainda não há um contrato formal a ser assinado pelos agentes para a liberação dos recursos. Outro ponto levantado pelas geradoras, e que não foi acolhido pelo banco, permitia ajustes no sentido de levar a discussão da operação aos conselhos administrativos das empresas e às Assembléias Legislativas, no caso de empresas estatais estaduais.


2002 ameaçado – A indefinição na discussão poderá impactar diretamente a realização da liquidação, já que as empresas argumentam que o acerto de pagamentos dos débitos acumulados fica inviabilizado sem o empréstimo. De acordo com Lindolfo Paixão, superintendente do MAE, a data que está sendo trabalhada para a realização do processo vai do dia 5 ao dia 12 de dezembro.


Um dos pontos em aberto é a assinatura do contrato com o Banco do Brasil, que atuará como agente operador do negócio. "Estamos tentando dar um entendimento ao banco do teor das liminares judiciais e o efeito prático na liquidação. A expectativa é que o contrato seja assinado até terça-feira (dia 3)", afirma Paixão. Segundo ele, existe a possibilidade de a liquidação não ocorrer em 2002, caso haja um número grande de liminares vigentes impedindo o processo.


Nesta sexta-feira, dia 29 de novembro, os membros do Foro Financeiro da Abrage, que agrupa os representantes das áreas financeiras das empresas associadas, se reuniram em Recife, e discutiram alternativas em torno das garantias financeiras. Segundo um dos dirigentes que esteve presente no encontro, não houve avanço em relação ao assunto, que voltará a ser discutido em reunião da Abrage na próxima semana.


A assessoria de imprensa do BNDES informou que os valores destinados a cada empresa já foram repassados pelo Ministério de Minas e Energia, mas só serão liberados quando a liquidação do MAE estiver totalmente confirmada. Isto porque, segundo o banco, o processo de transferência será praticamente simultâneo à realização dos pagamentos, sem qualquer prejuízo para o negócio.


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