VERGONHA! Enquanto a AES vai apresentar lucro, o contribuinte vai ter que colocar R$ 15 bi no BNDES! Lucros da AES têm ajuda brasileira Acordo com o BNDES foi fundamental no processo de recuperação da empresa american …

VERGONHA! Enquanto a AES vai apresentar lucro, o contribuinte vai ter que colocar R$ 15 bi no BNDES!


Lucros da AES têm ajuda brasileira


Acordo com o BNDES foi fundamental no processo de recuperação da empresa americana

ALAOR BARBOSA


RIO – Após viver um período de fortes turbulências, com as suas ações registrando queda nas bolsas de valores de 70,47% em 2001 e 81,53% em 2002, o grupo americano AES encontra-se em pleno processo de recuperação. No mês passado, as ações da empresa subiram 13,3% na Bolsa de Nova York, elevando o acumulado no ano para 151%. E as empresas brasileiras que fazem parte do grupo, especialmente a distribuidora de energia elétrica Eletropaulo e a geradora AES Tietê, desempenham papel fundamental na recuperação.


Projeções da própria AES apontam que em 2008 as empresas do grupo na América Latina serão responsáveis por 31% do lucro total da corporação, enquanto a América do Norte, sede da companhia, terá 26%, com o Caribe respondendo por 23%, a Europa por 11% e a Ásia os restantes 9%.


A negociação com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é vista como ponto muito positivo pela empresa. Em reunião com analistas em 9 de setembro, um dia após fechar o pré-acordo com o BNDES, o presidente da companhia, Paul Hanrahan, observou que a AES saiu de uma relação de conflito para uma situação em que tem o banco estatal como sócio estratégico (e minoritário). Tradicionalmente o BNDES só se torna sócio de empresas sob controle brasileiro.


O peso da América Latina nos negócios da AES já é muito elevado. Dos 13 milhões de clientes no mundo, 6 milhões estão no Brasil (cerca de 40% do total). Outros 1,2 milhão estão na Venezuela, 690 mil na Argentina, 925 mil em El Salvador e apenas 460 mil nos Estados Unidos.


Em teleconferência realizada no dia 18 de setembro pelo banco de investimentos Merrill Lynch, a empresa disse que espera aumentar o lucro por ação ao ritmo de 13% a 19% ao ano nos próximos cinco anos. Esse ritmo subiria para a faixa de 17% a 23% ao ano na hipótese de reinvestimento dos lucros (sem acesso ao mercado financeiro) e poderia superar os 23% ao ano, caso a AES volte a ter livre acesso aos financiamentos internacionais, alcançando o status de "investment grade", que a companhia espera alcançar em 2008.


OS BASTIDORES DO CASO AES

Luís Nassif – Jornalista


O acordo entre o BNDES e a AES foi uma obra de engenharia política e financeira das mais relevantes, com uma costura de bastidores bastante complexa.


Até o final da gestão Eleazar de Carvalho, o BNDES teve mais paciência com a AES, mesmo porque a diretoria da época tinha participado da privatização. Houve três prorrogações da dívida, sendo que na última, em setembro do ano passado, não se pagaram nem juros.


Quando o novo governo assumiu, tinha-se uma encrenca em várias dimensões. A primeira, de ordem financeira. A AES devia US$ 1,2 bilhão ao BNDES. Se o banco assumisse a empresa, apuraria no máximo US$ 250 milhões pela empresa, sem condições de o comprador assumir o saldo devedor.


A segunda encrenca era de ordem política. A AES é um grupo influente, estreitamente ligado com o esquema Bush. O presidente do conselho é Ricthard Darman, que foi subsecretário do Tesouro no governo Bush pai e um dos fundadores do famoso Carlyle Group, fundo de investimento privado que tem como sócio George Bush, pai. O grupo fatura US$ 9 bilhões em todo o mundo, US$ 2,5 bilhões dos quais no Brasil. Investiu US$ 4,6 bilhões em cash e hoje tem ativos avaliados em US$ 600 milhões apenas.


O imbróglio ameaçava azedar as relações entre os dois países, mesmo porque a AES se sentia injustiçada com os calotes, especialmente da área pública, e com reajustes de tarifas inferiores aos obtidos por outras empresas similares. Por seu turno, por meio da embaixadora Donna Hrinak e de um enviado do governo norte-americano, o grupo tinha tentado pressionar o BNDES, criando ressentimentos maiores ainda.


Em março, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, foi alertado por interlocutores de que as negociações caminhavam para um impasse, mas que poderia haver saída negociada desde que se tentasse contato direto com a direção da empresa nos Estados Unidos. Dirceu autorizou as tratativas.


Por meio de um ex-executivo da AES, o interlocutor conseguiu ser recebido pelo preside da AES, um ex-fuzileiro naval de nome Paul Hanrahan. No dia 15 de março houve reunião na sede da empresa, no 20º andar de um prédio em Arlington, de onde se tinha uma vista de Washington. Na conversa, o emissário foi claro: ou a AES reestruturava a dívida com o BNDES oferecendo melhores garantias ou acabariam saindo do Brasil mais cedo ou mais tarde.


Os americanos ficaram chocados quando souberam dos problemas da filial e do nível de esgarçamento das relações com o BNDES. A direção brasileira da empresa havia ocultado os problemas da matriz. Acataram o conselho e indicaram para negociar Joseph Brandt, um sujeito considerado grosso, quase intratável nas negociações, mas pessoalmente agradável e com uma visão de mundo muito mais ampla do que a dos executivos padrão norte-americanos.


Mark Fitzpatrick, o vice-presidente com jurisdição sobre o Brasil e que detestava o país, foi afastado das negociações. Juntos, Brandt e o interlocutor brasileiro prepararam a engenharia para as negociações. A saída proposta foi a companhia agregar seus demais ativos em uma nova empresa. O BNDES aportaria metade da dívida em participação acionária e a outra metade será paga em dez anos.


O último impasse superado foi o fato de a AES Tietê, uma das empresas do grupo, ter suas ações dadas em garantia ao Bank of America, pelo lançamento de bônus. O BNDES exigiu que as ações estivessem liberadas. A AES relutou. Na semana passada, o negociador brasileiro avisou seu colega americano que o grupo poderia perder US$ 2 bilhões por causa de US$ 300 milhões. O grupo cedeu, apresentou outras garantias e liberou as ações.


Na segunda-feira o acordo saiu, e o governo do PT pode celebrar uma vitória inusitada. Livrou-se o BNDES de um prejuízo monumental, em uma negociação que juntou, do lado brasileiro, a ala mais nacionalista do PT, e, do lado americano, a extrema direita do Partido Republicano.


AES CORP., CASO DE POLÍCIA

Antonio Avellar – Jornalista

Bastaram apenas 5 anos para comprovar que a febre de privatização do governo de Fernando Henrique Cardoso, que virou "epidemia nacional", do Norte ao Sul, para constatar do quanto foi malfeito e mal intencionado todo o programa de desestatização, e o que isto representou e ainda representará de prejuízos para o País. A Eletropaulo, privatizada em 1998, é o espelho de todo este desastre. Vendida, ou melhor, barganhada à poderosa empresa americana de energia AES Corp., que pegou um empréstimo de US$ 1,2 bilhão ao BNDES e simplesmente deu um calote nas parcelas do financiamento na hora de resgatá-las.


Quer dizer, além da gigante multinacional não saldar sua dívida com o banco brasileiro, praticou uma série de escândalos, que oferece denúncias não só para que o Ministério Público entre em ação, como a Polícia Federal, por tratar-se de evasão do dinheiro público, como foram outros rombos similares como os do "Silveirinha" e do "Banestado", para ficar apenas nesses dois, que vieram à tona mais recentemente. É que 80% daqueles valores acima, ou seja, US$ 960 milhões, foram remetidos para o exterior.


Mas não é só isto, o buraco é bem maior. Segundo relatórios do Tribunal de Contas da União dão conta, na gestão da AES Corp., à frente da Eletropaulo, em apenas 4 anos, sua capacidade de endevidamento pulou de R$ 1,9 bilhão em 1999 para R$ 6 bilhões em junho de 2003. Para coroar todo esse status de penduras monumentais, também na mesma proporção distribuiu R$ 25 milhões por ano de pro-labore à sua diretoria. E como sempre, são os otários brasileiros que pagam a conta e as orgias dos poderosos.


Mas, se não bastasse todo esse manancial inesgotável de espertezas dos "dirigentes" daquela grande corporação internacional, eis que surgem novamente do meio desse atoleiro e aplicam um verdadeiro golpe de mestre, deixando o governo brasileiro em uma sinuca de bico, praticamente sem saída, a não ser a que interessa a eles. Que foi exatamente o que aconteceu. De simples credor, apenas força de expressão, porque os valores da transação são muito altos, o BNDES passou a ser sócio da Eletropaulo em troca de 50% da dívida que essa tem com ele. Isto significa US$ 600 milhões.


O restante, os outros US$ 600 milhões, foram refinanciados, e nem Deus sabe se um dia serão pagos, porque ele não se mete em negócios escusos, ainda mais quando tem ricos envolvidos no meio…


A vantagem deste acordo mais do que de cavalheiros, ou de negócio da China antiga, é que de cara a controladora AES Corp. se livrou da metade do débito ao se tornar sócia do banco, que por sua vez ficou de mãos e pés atados caso precise acioná-la judicialmente. Por que, como processar alguém por malversação, quando se é parte dessa tramóia?


Seria a mesma coisa que Maluf processasse o Pitta por ter sido lesado por ele, conforme as denúncias do Ministério Público sobre as negociatas que ambos praticaram à frente da prefeitura paulista. E isto eles não fazem nunca, porque existe um código de ética neste meio. Agora, o pior mesmo é se ela vir a falir, o que não é fora de propósito, haja vista seu "fraco" desempenho nestes 5 anos na administração da Eletropaulo.


A esse respeito, o deputado federal José Janene (PP-PR), presidente da Comissão de Minas e Energia, comentou que tudo começou com a privatização malfeita, para quem este acordo apenas ratificou a tradição do banco de funcionar como hospital de empresas falidas. "Sumiram com 80% do valor emprestado, mandaram esse dinheiro lá para o exterior e não pagaram um centavo ao credor (BNDES). Pelo novo acordo, vão receber o perdão da dívida e o credor entra de sócio. Se quebrar, fica com o prejuízo".


O deputado Janene ainda manifestou uma outra preocupação relativa ao acordo. "Houve uma movimentação estranha de compra de ações 30 dias antes", para comentar depois: "Um ex-funcionário da AES disse na Câmara que o ex-diretor do BNDES Pio Borges foi contratado pela empresa depois de garantir que conseguiria fechar o acordo". Realmente, se tudo aconteceu assim, esse ex-diretor do banco é um homem de palavra. Dito e feito, matou a cobra e mostrou o pau. Tudo isto faz lembrar um outro escândalo, que existiu na tenebrosa década de 70, também com uma concessionária de energia de serviço público, a Light, na época, multinacional canadense, e hoje estatal francesa.


Vale a pena lembrar, para que o infeliz e molestado brasileiro não seja acusado infamemente por alguns de ter memória curta. Pois bem, depois de ter explorado a concessão por quase cem anos, exatamente 99 anos, e quando ela já iria retornar para o controle brasileiro sem indenização nenhuma, por força da expiração do contrato, no último ano de sua validade, alguns daqueles sabichões e tecnocratas de Brasília, chefiados pelo ministro de Minas e Energia de então, o "oriental-brasileiro" Shegeaki Ueki, compraram a Light por uma astronômica soma de dólares, e praticamente sucateada, porque seus dirigentes não investiam em novas tecnologias, esperando que o setor público, que também é a mãe dos gringos parasitas e picaretas, assim fizesse.


Agora, mais ou menos 30 anos depois, e como em um vídeo-teipe, surge este outro escândalo com uma concessionária de energia, a multinacional AES Corp./Eletropaulo. Se fosse nas matrizes dos seus respectivos países, seus responsáveis estariam na cadeia, além de ressarcirem o Estado do enorme prejuízo. Aqui, "terra de ninguém", não acontece nada. Eles continuam a praticar dolo ao Tesouro Nacional, sendo bem remunerados para isto, fica tudo por isso mesmo, e o idiota do contribuinte que pague o rombo.




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