Análise do ILUMINA: O artigo do Dr. Wilson Ferreira é uma ofensa à inteligência dos leitores. O hoje presidente da Eletrobras, ontem presidente de uma empresa privada vendida ao capitalismo chinês, esconde que a “perda de relevância” da Eletrobras foi causada exatamente pela péssima performance do setor privado, esse mesmo que vai salvar o Brasil.
É verdade que a Eletrobras foi usada politicamente, mas, ao contrário do que pensa o inocente consumidor, seu principal uso foi para dar uma mãozinha extra ao setor privado que atua no Brasil, que não faz nada sem ajuda do estado.
O ILUMINA pergunta ao Dr. Wilson:
- Onde estava a pujança do setor privado que não enfrentou o processo de privatização das distribuidoras, preferindo apenas as empresas que dão lucro? As outras, o estado amigo do privado empurrou pra cima da Eletrobras?
- Onde estava a pujança do setor privado para participar de um mercado livre genuíno que não precisasse da energia das usinas da Eletrobras descontratada em 2003 (apesar de ter preços menores) e sendo obrigada a liquidar sua geração por até R$ 4/MWh? Só com energia de graça??
- Onde estão as usinas que o setor privado contratou para atender o consumo de energia no mercado livre, que já chega a 27% do total? Consome energia e não participa da expansão da oferta? Onde estão as usinas??
- Onde estava a pujança do setor privado para investir em novas usinas sem a parceria minoritária da Eletrobras? Já não bastava o BNDES? Por isso a Eletrobras perdeu relevância! Nada a dizer??
- Onde está um mínimo de honestidade de reconhecer que o setor elétrico brasileiro já é privado, suas tarifas só se elevam e, mesmo com o artifício da MP 579, que quebrou financeiramente a Eletrobras, as tarifas continuam nas alturas? O setor privado não tem nada a ver com nada??
- Onde está a honestidade de reconhecer que, durante 12 anos, a Eletrobras colaborou com o déficit primário do estado amigo do setor privado com R$ 14 bilhões?
- Onde está a honestidade de reconhecer que nos leilões onde a Eletrobras esteve ausente por já estar esgotada de tanto ajudar o setor privado, os resultados foram vazios?
Chega a ser ridículo um artigo em jornal de grande circulação de um presidente criticando a própria empresa! Coisa que só acontece sem punição no Brasil!
Voltar à competição
WILSON FERREIRA JUNIOR
Debater a capitalização da Eletrobras é crucial para o Brasil. A cada ano que passa, a empresa perde competitividade, e cede espaço às concorrentes. Apesar de ser a maior do setor no país, acumulava obras em atraso e, por isso, deixou de participar dos leilões de geração e transmissão de energia.
Em 2014, último ano em que entrou na disputa, a Eletrobras arrematou apenas 11% dos projetos de geração. A perda de relevância é evidente: dos 33 GW agregados ao sistema elétrico entre 2011 e 2016, apenas 15% foram da Eletrobras. Os 85% restantes vieram de outros agentes, em sua maioria privados. A participação da Eletrobras na geração, em dez anos, recuou de 38% para 31%, em 2017.
Além de reduzir endividamento e cortar custos, a atual gestão priorizou a conclusão de obras em atraso: a última turbina da usina de São Manoel foi acionada recentemente; e a hidrelétrica de Sinop (MT) deve ficar pronta até o fim deste ano. Até 2021, a previsão é adicionar 8.000 MW à matriz energética.
No segmento de transmissão, a companhia também está fora dos leilões desde 2014, quando ficou com 3.259 quilômetros de linhas, ou 50% do total arrematado. Mas, apesar de ter ampliado em 1.475 quilômetros a rede no ano passado, continua perdendo espaço: em 2008, tinha 54% e chegou a 49% em 2017. Se tomarmos por base a expansão da demanda prevista no Plano Decenal 2026, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a Eletrobras precisaria investir R$ 14 bilhões por ano para manter sua participação de mercado. Como a União tem 60% do capital da companhia, o governo teria que desembolsar R$ 8,4 bilhões por ano. Como isso será possível, diante do déficit primário de R$ 159 bilhões e com tantas carências em saúde, educação e segurança?
É incontestável que a Eletrobras cumpriu seu papel no desenvolvimento do setor elétrico brasileiro, mas também foi usada, de forma sistemática e indevida, para promover a modicidade tarifária, a qualquer custo. Com a MP 579, de 2012, passou a ter 14 de suas usinas operando no regime de cotas e viu suas receitas encolherem, enquanto as despesas cresceram 65%. Nesse descompasso financeiro, foi ainda “convocada” a participar, como sócia minoritária de grandes hidrelétricas. Resultado: prejuízo de R$ 31 bilhões, de 2011 a 2016.
Para mudar esse cenário, o Projeto de Lei 9.463/2018, que trata da capitalização da empresa, com emissão de ações, é um enorme passo. O projeto prevê diluição da fatia da União, de 60%, para algo entre 40% e 50% e a criação de uma golden share, que dará à União o direito de veto em temas previamente definidos.
Sem vender uma ação, a União permanecerá sócia relevante de uma companhia mais forte, com novos sócios, e capacidade efetiva de investimento. O projeto prevê ainda a recuperação do Rio São Francisco, que sofre sua pior crise.
Capitalizada, a Eletrobras poderá voltar a disputar os leilões de expansão da oferta de energia e, desta maneira, beneficiar o consumidor, de forma inequívoca, com menores tarifas.
Wilson Ferreira Junior é presidente da Eletrobras
3 respostas
Meu medo é que temos copa do mundo onde a grande maioria do povo brasileiro, talvez uma esmagadora maioria, esteja mais preocupada em assistir a copa do mundo do que se preocupar com o futuro do país, afinal enquanto houver capacidade de se beber uma cervejinha e comer seu churrasco de fim de semana está bom. Infelizmente nosso povo assisti esses golpistas e ainda aplaudem. Estou farto dessa mediocridade
BRAVÍSSIMO FEIJÓ !
POREM….. HÁ ESPERANÇA QUE NAS ELEIÇÕES GERAIS , DAQUI A 4 MESES E MEIO, A CANOA DOS GOLPISTAS VAI VIRAR.
…. SE NÃO CANCELAREM…. IMPUNEMENTE (???)………AS ELEIÇÕES
Pois é Roberto
O problema é que o Sr. Wilson não vai admitir nunca que a Eletrobras não foi criada nem deve ser administrada para competir com empresa privada nenhuma. Esta não é e não pode ser a finalidade de um órgão tipicamente estatal.
Que a Eletrobras foi criada para executar a política do governo federal para o setor elétrico brasileiro, lá na virada dos anos cinquenta para os anos sessenta do século passado, até quando a energia elétrica no Brasil era totalmente explorada pela iniciativa privada e que, por isso mesmo, o desenvolvimento econômico social do País estava travado, justamente por total carência desse insumo imprescindível pois, onde ele havia era de má qualidade, insuficiente e com tarifas proibitivas para a indústria e para a população de menor renda.
E que no desempenho da sua missão a Eletrobras cumpriu o seu papel com louvor. O Brasil passou a contar com energia abundante, de qualidade adequada para o seu grau de desenvolvimento e de tarifa barata, uma das menores do mundo.
Então, se agora, pela infelicidade de uma incompetente medida do governo, aliás induzida e cobrada pelas lideranças da iniciativa privada, que aliás visava corrigir os erros decorrentes da implantação a partir de 1995 de um modelo inadequado ao setor, a Eletrobras se encontra sacrificada e sem condições de continuar cumprindo a missão para a qual foi criada e, assim, o Sr. Wilson considera que a solução do problema é promover a privatização da empresa na forma que está sendo por ele conduzida, eu tomo a liberdade de propor a ele o seguinte desafio:
Que, como competente executivo que é, continue à frente da Eletrobras privatizada, mas obrigatoriamente com as tarifas de todas as suas usinas que foram cotizadas pela MP-579 mantidas cotizadas nos valores que foram originalmente fixados pela ANEEL (em torno de R$ 10,00/MWh, em média) tolerando-se apenas uma correção anual pelo IPCA, bem como mantendo-se as indenizações dos saldos referentes às usinas que ainda não tinham sido amortizados feitas a partir do tal “valor novo de reposição” e com a consideração de que todo o sistema de transmissão existente em 31/05/2000 estava amortizado, tudo conforme previsto na pré-falada MP-579, e sem retirar da empresa nenhuma das obrigações que até então vinha realizando.
Somente isto. Acredito que o Sr. Wilson, mesmo com a Eletrobras presa a tais condições, seria capaz de fazer a empresa gerar grande lucro para os seus acionistas. O desafio está posto.