O PROJETO DE ZONEAMENTO AGRO-ECOLÓGICO
Com muitas décadas de atraso, surge um projeto de zoneamento agro-ecológico que, paradoxalmente, encontra forte oposição no setor agrícola, que é o beneficiado mais direto.
De fato, os verdadeiros agricultores sabem que solos explorados exaustivamente não preservam a camada superficial de húmus, que se forma pela decomposição de resíduos vegetais. Em virtude de suas propriedades coloidais, o húmus é muito importante na constituição do solo, sendo a principal fonte de matéria orgânica para a nutrição das plantas. E a camada superficial retém água, alimentando os lençóis freáticos e evitando a sua depleção.
Outro aspecto importante deste zoneamento é que permitirá a manutenção de talhões florestais, margeando as plantações e nelas intercalados. Seria desnecessário enfatizar a importância das florestas para a estabilização da umidade atmosférica e do regime pluviométrico, portanto, para a regularidade de todo o ciclo hidrológico.
Além disso, as florestas desempenham um papel fundamental no controle das populações de insetos. Inclusive daqueles considerados como pragas para a agricultura, que fazem parte das cadeias alimentares dos pássaros, que têm seu habitat nas florestas, mas recolhem a sua alimentação (principalmente insetos) nos campos e nas áreas exploradas pela agro-pecuária. A manutenção de maciços florestais associados à agricultura é, portanto, um meio muito eficiente para se controlarem pragas, sem a necessidade de pesticidas de origem petroquímica.
Ordenar a ocupação do território visando à sustentabilidade requer que os espaços a serem explorados pela agro-pecuária sejam delimitados de forma a permitir a manutenção da estrutura e fertilidade dos solos. Para isto, os zoneamentos agro-ecológicos indispensáveis.
As monoculturas de soja, milho, cana e outras oferecem produtividades muito elevadas e, portanto, lucros extraordinários para o agronegócio. Mas, sem um zoneamento para disciplinar a exploração, tais produtividades não podem se sustentar por mais do que uma ou duas décadas. E depois?
À vista do exposto, os abaixo assinados, movidos de convicção desprovida de interesses pessoais, manifestam irrestrito apoio ao projeto do Ministério do Meio Ambiente.
Plínio de Arruda Sampaio
Joaquim Francisco de Carvalho
José Eli da Veiga
Ricardo Abramovay
Ildo Luís Sauer
Cláudio Antônio Scarpinerlla
Célio Bermann
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