Zylbersztajn. É um bom nome para vidente… É impressionante a arrogância. Os mesmos personagens que levaram o país à uma crise sem precedentes, continuam postulando e comandando as sandices. Vamos cobra …

Zylbersztajn. É um bom nome para vidente… É impressionante a arrogância. Os mesmos personagens que levaram o país à uma crise sem precedentes, continuam postulando e comandando as sandices. Vamos cobrar essa previsão!


Zylbersztajn: apagão está cada vez mais distante

Adesão da sociedade ao racionamento surpreende


O presidente da Agência Nacional de Petróleo (ANP), David Zylbersztajn, disse ontem que considera surpreendente a adesão da sociedade ao racionamento de energia, principalmente no Sudeste e no Centro-Oeste.


– Já está indo muito além do que imaginava. E estamos daca vez mais longe do apagão – disse. ressalvando, no entanto, que sempre existe probabilidade de corte, maior ainda no Nordeste do que no Sudeste, onde o risco é cada vez menor.


– As coisas estão bem.Trabalhamos cada vez mais com a possibilidade de não ter apagão em todo País . Mas a população não pode relaxar. Zylbersztajn admitiu que, se necessário, em um limite extremo, existe a possibilidade de a região Norte passar a fornecer energia para o Nordeste. Ele disse também que pode criar cotas para algumas grandes indústrias no Norte, mas que isso não está definido.


A Câmara de Gestão da Crise de Energia (CGCE) trabalha com a possibilidade de aumento do racionamento de eletricidade no Nordeste e até mesmo de cortes generalizados na região em julho. As conclusões surgiram da análise de dados apresentados ontem pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), em uma reunião que contou com a presença do presidente Fernando Henrique Cardoso.


– No Sudeste, fica cada vez mais longínqua a possibilidade de apagão – declarou Mário Santos, presidente do ONS, logo depois de terminada a reunião da CGCE. ”Nenhuma medida pode ser afastada para se manter a confiabilidade do sistema elétrico. O apagão programado é uma terapêutica que queremos evitar e será aplicado em qualquer região, se for o mal menor”, afirmou, ao ser questionado sobre a situação do Nordeste.


Meta para o Nordeste


Segundo Santos, ainda não há necessidade de alteração da meta de 20% de redução de consumo para o Nordeste em junho. Ao longo do mês, entretanto, a CGCE vai definir metas semanais e mensais para os níveis dos reservatórios do Nordeste e a afluência de águas que os alimentam. Também será monitorado o cumprimento da redução de consumo de energia. Os resultados, no final do mês, deverão indicar se o racionamento terá de ser mais severo na região.


Os dados do ONS sobre o Nordeste mostram que as usinas hidrelétricas iniciam junho na mais crítica situação do País. Os níveis de água do reservatórios se mantêm em 27,8% – ou 12,2 pontos percentuais abaixo da margem de segurança. Diante disso, o operador montou a seguinte simulação para junho: com uma afluência de águas acima de 56% – o pior indicador anual medido nos últimos 70 anos – e com a continuidade da transmissão de 1.000 megawatts/hora do Norte, nada mudará na meta de redução do consumo de 20% para o Nordeste.


Em maio, a afluência na região alcançou apenas 40%. O mês também fechou com uma redução nula no consumo – a economia de 5% na última semana foi corroída, na média, pela alta utilização de energia na primeira quinzena. ”Se ocorrer em junho o pior, que é uma afluência abaixo de 56%, teremos de reavaliar a meta para o Nordeste, que pode chegar a mais de 25%, ou tomar outra providência”, declarou Santos.


De acordo com o presidente do ONS, a decisão sobre alteração na meta ou mesmo sobre apagões no Nordeste será tomada pelo núcleo-executivo da CGCE. No caso do Sudeste e do Centro-Oeste, essas hipóteses são consideradas apenas como alternativas para situações imprevistas, como acidentes em linhas de transmissão.


Os dados do operador sobre essas duas regiões indicam que os reservatórios das hidrelétricas chegaram a 29,7%, no final de maio. Próximo à meta de 30%, fixada pelo ONS, esse percentual foi atingido graças à economia de consumo de energia. A redução foi de 6% no mês – na última semana, de 12%.


Feriadão poderá ser o plano B


Caso fique constatado que o racionamento não foi eficaz ou suficiente, o plano B do Governo para economizar energia poderá ser o feriadão, às segundas-feiras, com corte de luz durante boa parte do dia, informou ontem à Agência Estado o o presidente da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (CGCE), ministro Pedro Parente. ”Vamos tentar evitar ao máximo o apagão, mas se não for possível, sem dúvida, o feriado oferece mais condições para um corte organizado do que em dia normal de trabalho.”


O diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), David Zylbersztajn, também concorda com Parente. ”O feriadão não está descartado, mas se acontecer não será com os aparelhos de TV e de som ligados.” No período pós-guerra, o Japão adotou o feriadão com apagão e obteve uma boa economia de energia.


A preocupação maior do Governo, no momento, é com o Nordeste. ”O Sudeste e Centro-Oeste já economizaram 12% e o Nordeste só 5%, e é nesta região que a situação dos reservatórios é mais grave. O Nordeste está na UTI ”, avalia Parente. O ministro prefere não comentar, por enquanto, mas a crítica situação torna a região mais vulnerável ao apagão do que o Sudeste e Centro-Oeste.


Limites. Além disso, é limitada a margem para ecomizar energia, por causa das características de pobreza da região – a população não tem o que economizar porque já o fazia antes. E um dia a menos de trabalho no Nordeste tem um impacto menor sobre o Produto Interno Bruto (PIB) e o desempenho da economia do País do que no Sudeste. Mas não será este o critério e sim o quadro real de escassez que determinará onde serão ou não aplicados cortes de energia.


Segundo Parente, no dia 10 de junho, o grupo que trabalha no plano B detalhará sua proposta de apagão. Até lá, o Governo já terá claro os primeiros resultados da aplicação do plano de racionamento e, então, decidirá se deve ou não recorrer ao regime de cortes.


– O apagão é um horror, mas evidentemente um horror que ameniza, se acontece num feriado – reconhece Parente. No feriado, as famílias têm opção de organizar-se e programar-se para enfrentar o apagão. Parente, contudo, diz que o governo só recorrerá à medida se o racionamento fracassar. ”Nossa grande preocupação é não entrar no regime de apagão, mas se for inevitável prefiro o modelo de fazê-lo em dia sem trabalho.”


O Governo ainda não fez cálculos para medir a economia proporcionada por cortes. Mas são expressivos. Roberto d’Araujo, diretor do Instituto Ilumina, que reúne ex-funcionários de Furnas, estima que oito horas de cortes por dia equivalem a uma economia de 8,8% do que é normalmente consumido. Ao final de um mês, portanto, a redução seria de 35%, segundo o especialista. mais energia na página seguinte (Jornal do Comércio 31/5)



Diretor da ANP acha que decisão beneficiaria Petrobras e deve propor alternativa

Zylbersztajn impede adoção de medida sobre risco cambial do gás

Claudia Safatle e Cláudia Schüffner, De Brasília e Rio


Foi suspensa, com apenas 15 minutos de antecedência, a entrevista do ministro de Minas e Energia, José Jorge, para anunciar a decisão sobre o risco cambial do gás importado da Bolívia. O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), David Zylbersztajn, impediu que a a decisão, que se arrasta em discussões intermináveis há mais de um ano, fosse oficializada porque é contra o modelo da política para o gás natural, pelo qual a Petrobras está conseguindo uma posição monopolista.


Ontem o "Diário Oficial" publicou medida provisória dando poderes aos ministros de Minas e Energia e da Fazenda para "criar mecanismo de compensação destinado a viabilizar a manutenção de preços constantes para o gás natural, por período consecutivo de 12 meses". A ANP, no entanto, não gostou.


A queda de braço da ANP com a Petrobras no caso do gasoduto não é nova. A estatal acha que tem direito de exclusividade sobre o uso do gasoduto Brasil-Bolivia até 30 milhões de metros cubicos. A ANP, no entanto, numa disputa no início desse ano, deu livre acesso ao gasoduto às empresas Enersil, da Enron e a Bristh Gas do Brasil.


O grupo interministerial que estava finalizando a resolução do risco cambial, que tem a participação assessores do ministério da Fazenda e do Planejamento, entendeu, porém, que a decisão sobre o câmbio deveria ser separada do conjunto das demais discussões sobre gás e decidida o mais rapidamente possível, para dar andamento às usinas termelétricas a gás que estão ainda no papel.


O diretor da ANP não foi convidado a participar das reuniões desse grupo, que tinha representantes do ministério de Minas e Energia e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Na última hora, Zylbersztajn resolveu intervir, adiar a divulgação da resolução e provavelmente apresentará proposta alternativa.


O que os participantes do grupo esperam é que ele faça isso em no mais tardar 48 horas e que as demais pendências e discordâncias da ANP e da Petrobras quanto à questão do gás sejam resolvidas em outras oportunidades. Zylbersztajn, que é membro da Câmara de Gestão da Crise de Energia (CGE), manifestou seu desagrado com o fato de a ANP não ter participado das reuniões em que a portaria foi discutida. Entre os ouvintes das suas reclamações e argumentos ontem, estava o presidente Fernando Henrique Cardoso.


Zylbersztajn disse que a ANP não confiava nas informações prestadas pela Petrobras já que, a seu ver, os interesses da estatal não são, necessariamente, os mesmos interesses do Brasil. Foi o suficiente para o ministro da Fazenda, Pedro Malan, suspender a publicação da portaria, que já estava pronta.


A ANP suspeita que o índice final de desdolarização do preço do gás que vai suprir as termoelétricas (um mix com 80% de gás importado e 20% de gás nacional) é de apenas 10% do mix total. Isso se daria porque a parcela nacional estaria com os preços de transporte fixados em dólar, deixando em reais somente o preço da commodity.


A Petrobras questiona a avaliação da ANP. Fontes da empresa explicaram que os preços internos de transporte por sua malha de dutos são fixados em reais e já variam de acordo com o IGP-M por força de portaria. O mesmo passa a acontecer com a parcela de gás nacional que formará o mix. Já a parcela em dólar (tanto o transporte quanto a commodity) varia de acordo com a inflação americana e o câmbio.


A Petrobras assume integralmente o risco de variação do preço do petróleo (que influencia o do gás) e não receberá compensação alguma se ele aumentar no mercado internacional. Por outro lado, se os preços caírem ela não repassa o benefício.


A estatal não aceitou assumir o risco adicional que é a variação do dólar. Por isso foi criada uma conta de compensação do câmbio, que será repassada para os consumidores do gás após um ano dos contratos. A Petrobras explicou que só poderá assumir o risco até o volume de 40 milhões de metros cúbicos de gás porque a produção nacional de gás está limitada a 8 milhões de metros cúbicos. Os 40 milhões seriam o volume limite para manter a proporção de 20% de gás nacional no mix.



Economista diz que planos estão comprometidos pela ação do FMI

Celso Furtado critica falta de planejamento no país

Vera Saavedra Durão, Do Rio


"Um caso clássico de falta de prevenção". Este foi o diagnóstico feito pelo economista Celso Furtado, um dos mais respeitados em todo o mundo, sobre a atual crise de energia que assola o país. "Governar é prever", ensina Furtado, citando frase de texto do século XIX.


Para ele, o setor público tem de planejar a longo prazo para preparar o futuro, mas o Estado brasileiro tem hoje esta possibilidade limitada por estar de mãos amarradas junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI). "O que passa é que o governo é dependente na sua capacidade de fazer política, pois o Fundo Monetário Internacional tutora o país".


Ele recorda que, por causa da política de metas do FMI, de redução do déficit público, se proibiu a Eletrobrás de investir. "Isto é grave, pois quem paga é o país". Para reforçar seu argumento sobre a necessidade de o governo investir em infra-estrutura "e não ficar sob orientação do mercado", revelou que nos Estados Unidos todas as hidrelétricas são públicas. "No setor elétrico a geração de energia e as grandes linhas de transmissão têm de ser públicas. A distribuição pode ser privada, mas precisa de regulação para não ser tão cara", receita, desenhando assim seu modelo para o setor elétrico brasileiro.


"No serviço público, o governo tem de responder pela infra-estrutura e quando há falhas, o governo deve assumir a culpa". Ele considera o povo brasileiro dócil e cooperativo. "Lá fora o povo se revolta e não admite certas coisas, enquanto aqui há humildade e cooperação do povo e egoísmo dos ricos e, em contrapartida, o governo é relapso e não sente urgência de ação", critica.


No seu cenário, a atual geração vai pagar um preço pela crise de energia, pois será preciso ter um tempo para repor a economia no lugar. Ele teme que o racionamento agrave o que considera o maior problema da economia, que é o endividamento externo crônico. "Este é o mais sério, pois está comprometendo o futuro do país".


Fazendo um retrato rápido das contas externas, Furtado constata que o Brasil tem atualmente insuficiência na balança comercial; o setor externo está estagnado e declina sua participação no comércio mundial. Tal situação é difícil, porque, segundo ele, dependente de tecnologia e de financiamento externo o país tem de ter saldo na seu balanço de pagamentos.


"A política do governo só agravou isto", declarou. "Em 1994, o saldo do balanço em conta corrente (balança comercial, mais serviços e juros) era de US$ 5 bilhões. Na nova política implantada então este saldo desapareceu e deu lugar a um déficit próximo de 4% do PIB, insustentável. Resolver o problema com mais endividamento externo é loucura", alerta.


Furtado se confessa otimista com o futuro do Brasil, mas não acredita que as coisas mudem neste governo. O economista até admite que o Brasil, pelo seu tamanho e sua riqueza, comporta muitos erros das administrações públicas, mas aponta que nos últimos anos foram cometidos erros graves por omissão oficial. "O setor energético é um erro flagrante. Todo mundo está sofrendo por conseqüência do desgoverno, pois imaginar que a água tem papel nisso não é procedente. O funcionamento do sistema hidrológico do país é previsível". (Valor 31/5)


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