Apagão domina debate entre assessores na área de energia – Valor

Comentário: É impressionante como dois representantes de governos cujas políticas energéticas levaram o país a uma crise sem precedentes mantêm a arrogância e sequer tocam nas verdadeiras razões dos seus estragos.

O ILUMINA gostaria de, por hora, desmontar a desculpa preferida dos dois representantes de políticas “supostamente distintas”: A “preferência” de São Pedro, FHC ou DILMA.

Como o ano de 2014 ainda não terminou, fizemos uma estimativa das afluências dos meses de outubro a dezembro como sendo tão ruins como as verificadas em setembro. Com alta probabilidade, o valor da energia natural de 2014 será maior do que a plotada no gráfico.

Como todos sabem, o Brasil dispõe de reservatórios e usinas térmicas. Portanto, toda a questão se resume ao manejo do estoque da água reservada. Apesar de não estarmos aumentando a capacidade de armazenamento, ainda temos o recorde mundial dessa característica. Portanto, para avaliar se São Pedro gosta mais de FHC ou de DILMA, é preciso olhar os dados de pelo menos 3 anos antes da “desgraça” hidrológica que cada um cita.

Os dados estão em GW médios.

De 1998 a 2001, FHC recebeu de São Pedro 2.700 GW médios em energia natural. Uma média de 675 GW médios por ano.

De 2011 a 2014, DILMA recebeu de São Pedro 2675 GW médios, uma média de 668 GW médios por ano.

Basta dar uma olhada no gráfico para ver que, considerados os anos precedentes, nenhum dos dois foi prejudicado com secas prolongadas. As médias se situam na média do histórico. A diferença pró FHC não passa de 1%.

Portanto podemos afirmar que, dentro da margem de erro, São Pedro não tem preferências por FHC ou DILMA. Ambos continuam empatados na falha de gestão.


 

Por André Ramalho e Rafael Rosas | Do Rio

O racionamento de energia de 2001, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, e a crise atual do setor energético, em pleno mandato petista, estiveram ontem no centro do debate eleitoral. O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, e o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), representantes do setor de energia das campanhas de Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), respectivamente, travaram um debate marcado por ataques mútuos às gestões dos partidos ao longo dos últimos 21 anos. No encontro, exibido no programa GloboNews Miram Leitão, as propostas para ficaram em segundo plano e deram lugar a críticas recíprocas ao planejamento energético de cada partido.

Na posição de opositor, Adriano Pires atacou a intervenção do governo petista e a falta de transparência das decisões que levaram à perda de receita por parte das companhias do setor e à exposição das distribuidoras ao mercado de curto prazo. “Queremos trazer de volta o planejamento com transparência e previsibilidade, sem improviso, que é característica do governo PT, trazer de volta a gestão eficiente e a autonomia e independência das agências reguladoras”, defendeu o especialista.

Pires atribui o momento atual do setor a problemas que vão além da falta de chuvas. “O governo PT resolveu reduzir o preço da energia na marra, num momento em que o custo estava crescendo, não fez uma campanha de redução do consumo de energia e deixou as distribuidoras descontratadas”, argumentou o consultor do PSDB.

Em todo o seu discurso, Tolmasquim fez questão de negar a existência de uma crise energética no governo petista e destacou repetidas vezes as mazelas do racionamento da era FHC. O diretor da EPE acusou o PSDB de abandonar o planejamento energético e a expansão da geração e lembrou que a capacidade instalada de geração subiu 7% a menos que o consumo durante o governo tucano.

“Não está havendo racionamento porque há um equilíbrio estrutural nesse governo. A crise hidrológica hoje é muito pior que 2001 e não estamos cortando 1 MW do consumidor, porque o governo investiu fortemente na expansão da capacidade instalada”, defendeu Tolmasquim.

O diretor da EPE lembrou que o PIB brasileiro deixou de crescer 1,5% durante o “período terrível do racionamento de 2001”. “Foi um ato de total violência contra o consumidor”, comentou.

Adriano Pires rebateu dizendo que o Brasil só não está vivendo um apagão porque a economia não está crescendo e criticou a falta de transparência do governo atual. “O PT esconde os fatos. A população já está pagando uma tarifa mais cara e tem distribuidora com aumento de tarifa previsto para 2015. O governo vai deixar uma conta, segundo o Tribunal de Contas da União, de R$ 60 bilhões a serem pagos por consumidores e contribuintes. O racionamento no governo FHC custou R$ 21 bilhões aos preços de hoje”, comentou.

O diretor do CBIE defendeu a volta de um comitê de gestão da crise e a criação de uma auditoria para avaliar o setor. “Tem que chamar todo mundo para sentar na mesa para ver se contornamos esse conjunto de barbeiragens que o PT implementou no setor elétrico. Não tem ninguém satisfeito no setor de energia. Esse governo é autoritário. Fez da MP 579 essa bagunça toda sem conversar com ninguém”, criticou.

Diante das críticas, Tolmasquim defendeu a MP 579, que viabilizou a redução de 20% nas tarifas para o consumidor. “Esse governo propiciou que o custo para o consumidor com o acionamento das termelétricas fosse 20% menor”, argumentou.

Sem apresentar novas propostas, o presidente da EPE destacou os avanços da política energética do PT, como o programa Luz Para Todos e o investimento em eólicas, e pregou a continuidade das diretrizes atuais num eventual segundo mandato da presidente Dilma. “Se a presidente for reeleita, vai continuar o esforço de exploração no pré-sal, na diversificação da matriz, aumentando participação das renováveis, e manter essa política de segurança do abastecimento”, defendeu.

Já Pires demonstrou seu descontentamento com a política energética atual e apresentou algumas das propostas, como o incentivo etanol, com a volta das Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) sobre a gasolina, e à geração distribuída e cogeração, além da criação de leilões regionais de energia, com foco em eólicas no Nordeste, carvão no Sul e biomassa no Sudeste e Centro-Oeste.

“No mandato de Aécio, vamos reconduzir o setor de energia para os trilhos. Vamos deixar de usar a Petrobras para fazer política econômica, de administrar preços e vamos descentralizar a política energética”, disse Pires.

 

 


 

  3 comentários para “Apagão domina debate entre assessores na área de energia – Valor

  1. José Antonio Feijó de Melo
    17 de outubro de 2014 at 14:56

    Roberto. Parabéns pelo seu comentário. Empate absoluto, com zero a zero que, no caso, mais do que placar seria mesmo nota para os dois lados. A verdade é esta, os dois grupos de governo (PSDB e PT) erraram grosseiramente na política de energia elétrica.
    O PSDB por implantar um Modelo de Mercado totalmente equivocado e desvinculado da realidade brasileira, que produz permanente ameaça de crise de abastecimento, elevação continuada das tarifas, queda da qualidade do serviço (apagões, etc.), precarização das atividades dos profissionais do setor e, em compensação, ganhos extraordinários para os acionistas das empresas.
    O PT, errou por não ter tido coragem de implantar a restauração responsável do Modelo de Serviço Público, conforme sua proposta de campanha de 2002, contentando-se em apenas introduzir correções imprescindíveis no Modelo de Mercado, de modo a viabilizar condições mínimas para seu funcionamento, mas mantendo suas características mercantís básicas e consequentemente todas as suads consequências acima enumeradas.

  2. Paulo
    2 de abril de 2015 at 12:23

    O aumento na capacidade de geração no governo do PSDB foi muito menor do que no governo do PT. Esse dado tem alguma importância na sua conclusão de que há um “empate” entre os dois governos ? Ou deve ser ignorado ??

    • Roberto D'Araujo
      2 de abril de 2015 at 23:25

      O problema do aumento de capacidade ocorrido no governo do PT é que ele proporcionou um aumento expressivo de usinas térmicas caras. Dominados pela cresça de que o “mercado resolve”, os leilões são determinados por um índice denominado ICB (Índice Custo Benefício). Por defeitos presentes também na avaliação da garantia do sistema, esse índice valoriza térmicas a óleo e diesel porque, segundo uma avaliação equivocada, “serão pouco usadas”. Esse é o principal motivo do esvaziamento dos reservatórios, uma vez que, na maioria do tempo, quem gera no lugar dessas térmicas são as hidroelétricas. Portanto, é preciso desconfiar dessa expansão.

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