Comentário: Não se deixe enganar. O número aparentemente baixo de R$ 3,00 está sendo apresentado de propósito para esconder um aumento substancial. Na realidade, a tarifa extra é de R$ 30/MWh. Se sua conta apresenta uma parcela de energia de R$ 180/MWh, o aumento é de 16%. Nos últimos meses de 2014 essa parcela subiu ainda mais, fruto do esvaziamento dos reservatórios, que, como já mostramos aqui, não é culpa exclusiva de São Pedro e sim do modo como o sistema foi operado e expandido.
Qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento sobre o consumo residencial sabe que os principais vilões são a geladeira e o ar condicionado. No verão esses equipamentos funcionam várias horas seguidas e seu consumo é maior por conta da temperatura. Claro que uma parcela variável em função da abertura de portas do refrigerador e do controle de temperatura ambiente do ar. Entretanto, não se conseguiria uma redução significativa por conta desses cuidados.
Portanto, a gestão do nosso setor elétrico coloca o consumidor residencial num beco sem saída. Como as bandeiras durarão meses, não há possibilidade de deslocamento de consumo. Será pagar ou pagar.
Pior! Quando o cenário é favorável, nenhum desconto. Toda a redução de custo, se houver, ficará restrita ao mercado livre.
Por Rafael Bitencourt
BRASÍLIA – A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou nesta sexta-feira que o sistema de bandeiras tarifárias indicou sinal vermelho para as tarifas do mês de janeiro de 2015. Com esta sinalização nas contas de luz, o consumidor terá que arcar com o acréscimo de R$ 3,00 a cada 100 quilowatt-hora (kWh) consumido.
A bandeira vermelha é a indicação de pior cenário de custo da energia elétrica fornecida pelas distribuidoras. Isto geralmente ocorre quando há a diminuição expressiva das chuvas em relação à média histórica, o que influencia diretamente na recomposição dos reservatórios das principais hidrelétricas do país. Com menos geração de fonte hídrica, há o aumento na operação – mais cara – das usinas termelétricas.
Em janeiro de 2015, a indicação de bandeira vermelha vale para todas as regiões do Sistema Interligado Nacional (SIN): Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste, Sul e Norte. O novo sistema ainda não vale para regiões dos sistemas isolados, nos Estados do Amazonas, Amapá e Roraima. Em janeiro de 2014, a Aneel havia indicado bandeira amarela para todas as quatros regiões do SIN.
Com a implementação do novo mecanismo, a Aneel espera que o consumidor identifique qual bandeira valerá no mês para que possa reagir a essa sinalização, estimulando o uso racional da energia elétrica.
O sistema estava programado para começar funcionar a partir de 2014, mas foi adiado para 2015. Com isso, a fase de implementação em caráter educativo se estendeu de 2013 a 2014, sem que houvesse repasses mensais do aumento do custo para o consumidor.
Quando há uma alta moderada no custo da energia, o sistema de bandeiras tarifárias aciona o sinal amarelo, que corresponde ao acréscimo de R$ 1,50 a cada 100 kWh consumido. Com o cenário favorável, não há qualquer custo adicional nas tarifas, com a marcação da bandeira verde nas contas de luz.
2 respostas
Meu consumo de energia em novembro foi 00,0 kw paguei quase $14,00. Agora em fevereiro foi gasto 61kw e me cobraram bandeira vermelha. Gostaria de saber se esse procedimento esta correto???
Lucia;
Depende do que você chama correto. Seu caso mostra bem a injustiça desse sistema. Infelizmente, a bandeira incide sobre todos. Nesse sentido, é correto. Na opinião do ILUMINA a bandeira tarifária é uma espécie de confissão das autoridades ao não se conseguir gerir os reservatórios.
Dê uma lida nesse artigo.
http://ilumina.org.br/bandeiras-tarifarias-e-injustica-artigo-roberto-daraujo-valor-240713/