Cézar Faccioli
Agora começam a se dar conta daquilo que o ILUMINA vem alertando há muito! Quando as chuvas voltarem e as térmicas estiverem funcionando vamos jogar água fora e queimar gás?
Recarga
Menina dos olhos dos ministros baianos Rodolfo Tourinho e Raimundo Brito, o programa emergencial de geração termelétrica previa 17 mil MW em usinas até 2005. Mesmo com o País às voltas com a ameaça de racionamento, a troca de guarda no Ministério das Minas e Energia põe em xeque o programa. Ganham espaço as advertências de que corre-se o risco de desperdiçar energia hidrelétrica, mais barata, logo que o regime de chuvas se normalize.
Até a posse de José Jorge, do PFL pernambucano, no Ministério das Minas e Energia, o primeiro plano vinha sendo ocupado pela discussão em torno da relação entre o preço do gás natural, sujeito a revisão trimestral referenciada em dólar, e as tarifas de geração, reajustáveis anualmente ou, em cárater excepcional, por licença extra da Aneel, agência reguladora do setor. A fórmula mais provável para superar este impasse, que ajuda a explicar porque o programa não decolou, era a adoção de um preço fixo em reais para o gás, com a Petrobras e eventuais fornecedoras privadas recebendo uma compensação do Tesouro face a possíveis oscilações bruscas do câmbio, acima de determinado patamar. O ministro Rodolfo Tourinho resistia a este modelo, no que convergia com o ponto de vista da Petrobras.
REGIME. A saída que as grandes geradoras internacionais pleiteavam na discussão com o Governo era o repasse automático dos aumentos de custo. O pleito batia de frente com o esforço da Fazenda para desindexar de vez a economia e com os interesses das distribuidoras, que tem reajustes contratualmente garantidos mas temiam que uma elevação ainda mais forte das tarifas terminasse por afetar o consumo. A Fazenda venceu a queda-de-braço, mas ao custo de paralisar os investimentos. A exceção foi o Estado do Rio, onde uma combinação de incentivos fiscais públicos com foco privado na venda livre, na oferta de excedentes no Mercado Atacadista de Energia (MAE), está viabilizando a instalação de usinas da Enron e da El Paso.
Com o impasse nacional, o Governo terminou ganhando tempo para uma análise mais detida do programa federal de termelétricas e seus limites e consequências. Da forma como está concebido, o programa implica um esquema take or pay no gás natural, em que a geradora paga no mínimo 70% de sua cota, use ou não no período. Em contrapartida, firma contratos da mesma duração com as distribuidoras ou a Eletrobrás para venda da energia gerada, os Power Purchasement Agreeements (PPAs), de forma constante e nas mesmas bases de compulsoriedade. De início, dada a escassez de água nos reservatórios das hidrelétricas, o sistema atuaria de forma equilibrada. Com o tempo, contudo, à medida que as chuvas se normalizassem, as hidrelétricas teriam de reduzir sua carga, porque a demanda seria atendida primeiramente pelas termelétricas. Um problema e tanto, considerando-se que o custo da geração hídrica costuma ser de um terço da térmica.
Para alterar este quadro, instituições como a Coppe debatem um fundo de compensação, que dividisse o ônus do sobrepreço por todo o sistema elétrico, gerando uma reserva de valor para o período em que as térmicas estivessem operando abaixo da carga nominal máxima, o encargo de capacidade. E esse debate, antes circunscrito a técnicos e acadêmicos, tem agora chances de chegar ao novo ministro. Jornal do Commercio 27/3
Governo busca plano de contingência para energia
Apesar das medidas preventivas, ONS afirma que racionamento será inevitável
BRASÍLIA E BELO HORIZONTE – ”Não há como fugir do racionamento de energia elétrica”, avaliou ontem Fernando Quartim, consultor do Grupo Rede – controladora de oito distribuidoras e nove geradoras, responsável por 30% do fornecimento de energia do país – e conselheiro do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), depois de participar da reunião convocada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para discutir um plano para evitar o corte de energia nas regiões Sudeste, Centro Oeste e Nordeste.
No encontro, do qual participaram a direção da agência, representantes do ONS e empresários do setor, foram apresentadas 23 medidas de racionalização do consumo e aumento da oferta nas regiões onde a situação dos reservatórios de água é crítica. Entre as medidas propostas estão a economia do consumo de energia dos prédios públicos, uma campanha de conscientização dos consumidores residenciais – incentivando, por exemplo, a troca de lâmpadas comuns pelas de menor consumo, e propostas para o aumento de oferta na geração de energia.
Troca de lâmpadas – Para Quartim, algumas das medidas são razoáveis, mas outras são ”românticas”. Uma delas, avaliou, é a troca das lâmpadas comuns de residências e do comércio por lâmpadas ”eficientes”, que consomem menos energia. A substituição das lâmpadas poderia ser financiada pelas próprias distribuidoras de energia com recursos do programa que recolhe 1% da receita das empresas para investimentos em projetos de combate ao desperdício e que dispõe de cerca de R$ 300 milhões/ano.
A primeira medida efetiva do plano de contingência será, no entanto, a economia de energia nos prédios públicos, confirmou o diretor-geral da Aneel, José Mário Abdo. Entretanto, o plano completo só deverá ficar pronto no final da próxima semana, informou. Abdo descarta o racionamento por apostar que o plano de racionalização da demanda e aumento da oferta será suficiente para garantir o abastecimento das três regiões durante o período seco, que vai de maio a novembro.
Segundo o diretor da Aneel, a pretensão é gerar uma a economia de 3,3 mil Megawatts (MW) – o que representa um aumento de 15% no nível dos reservatórios – e um aumento da oferta da ordem de 10%. Ele negou uma alteração nos valores das tarifas de energia.
Além do plano de contingência, o governo vai divulgar, a partir da próxima semana, uma campanha publicitária para explicar à população a necessidade de se economizar energia. Segundo a Aneel, se cada consumidor residencial apagar uma luz, a economia poderá ser de dois mil megawatts. O plano continuará a ser discutido por um grupo executivo formado por diversos ministérios e por representantes das empresas do setor.
Furnas – Dispostos a impedir a privatização de Furnas Centrais Elétricas, prefeitos das 34 cidades que formam o lago da estatal, no sul do estado, estarão hoje com o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), no que promete ser a primeira grande manifestação contra a venda da empresa desde que o governo federal anunciou a intenção de vender a estatal.
Na prática, os prefeitos temem que a privatização prejudique os planos de investimentos de Furnas na própria região, com cerca de um milhão de habitantes. ”Quem nos garante que a venda não prejudicará a população ribeirinha que depende do lago para sobreviver”, pergunta o prefeito de Guapé, José Rogério Lara, lembrando que às margens do lago estão instalados diferentes projetos de agricultura irrigada, piscicultura e de turismo. JB 27/3
Sugestões para consumir menos
Redução do consumo final de energia elétrica equivalente a 15% do nível dos reservatórios das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sudeste Aumento da oferta de energia equivalente a 10% do nível dos reservatários das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste Redução do consumo de energia nos prédios públicos do Governo federal e negociar semelhante iniciativa junto às administrações estaduais e municipais Reprogramação do funcionamento do terceiro circuito de Itaipu, na subestação de Tijuco Preto (SP), onde há um transformador danificado Elevação, ao máximo, da capacidade de produção de energia das usinas nucleares de Angra I e Angra II Redução do prazo previsto para a troca de combustível da usina nuclear de Angra I de 64 dias para 45 dias Aumento da geração de energia da hidrelétrica de Ilha Solteira, em São Paulo, fazendo com o que excedente de energia seja destinado à região Centro-Sul do País Antecipação do funcionamento da oitava turbina da usina de Porto Primavera, em São Paulo, de 2002 para este ano, aumentando em 100 MW a oferta de energia. Além disso, cada uma das oito turbinas vai gerar 30 MW a mais, proporcionando ao sistema acréscimo de outros 240 MW; Campanha publicitária junto aos consumidores residenciais, com o objetivo de conscientizá-los sobre a necessidade de economizar energia. A Aneel estima que se cada consumidor residencial desligasse uma lâmpada de sua casa seria possível economizar dois mil megawatts; Substituição das lâmpadas comuns por lâmpadas que consomem menos energia, as chamadas ”lâmpadas eficientes”. Por serem mais caras, as concessionárias poderão financiá-las aos seus consumidores, com recursos do programa de combate ao desperdício que arrecada anualmente cerca de R$ 300 milhões junto às distribuidoras de energia. JB 27/3