Dr. Palocci, faça as contas. Só em Furnas há uma descontratação de 3.600 MWmédios. (Editorial) Admitindo-se uma tarifa de R$ 70/MWh, sumiram da receita da empresa R$ 2.268.840.000. Não pense que, em compensação, a empresa não tem que geraressa energia que não está contratada. Geraçãocom remuneração insuficiente para quem tem energia hidráulica é o que determina o modelo implantado na década passada e cujas distorções permanecem. Suas usinas têm que substituir as térmicas do self-dealing e PPT que, essas sim, tem contratos bem mais caros do que os R$ 70/MWh. Portanto, Dr. Palocci, esqueça de superávit primário, pelo menos nessa empresa pública.
Nesse país, onde o senhor é o todo poderoso das contas públicas, descontrata-se energia barata para contratar energia cara que, além aumentar a tarifa, deixa as empresas sem possibilidade de realizar esse congelamento e represamento de dinheiro que o senhor e os sábios do FMI chamam de superávit primário. Tudo em nome de não se quebrar contratos quando, na realidade, há uma vexaminosa quebra de contrato com o consumidor, pois o princípio da modicidade tarifária foi abandonado.Fazer superávit primário numa empresa de energia elétrica ésubverter o destino da tarifa paga pelo consumidor que deveria remunerar o serviço e possibilitar que haja capacidade de expansão suficiente para atendê-lo no futuro .
Portanto, se o senhor quiser recuperar o superávit perdido, procure nas empresas que se beneficiaram desse sistema. E mais. Se essa falta de superávit resultar em aumento da carga fiscal, tudo se passará como se estivéssemos transferindo dinheiro de impostos às empresas beneficiadaspor essaexdrúxula circunstância, só quede um modo bem complicado. Talvez seja mais eficiente doar diretamente!
Atenciosamente
ILUMINA
Estatais têm déficit histórico de R$ 3,2 bi – JB 27/3/2004
FMI aprova revisão de acordo, mas Brasil não sacará dinheiro
BRASÍLIA – Os gastos das empresas estatais foram os vilões do superávit primário (receitas menos despesas, excluindo pagamentos de juros) no mês passado. Em fevereiro, o setor público economizou R$ 3,295 bilhões, contra R$ 6,950 bilhões em janeiro. Já o déficit primário das estatais, sozinho, totalizou R$ 3,221 bilhões, pior resultado desde o início da série histórica, em 1991. Com isso, o país terá de economizar R$ 4,254 bilhões este mês para cumprir a meta trimestral acertada com o Fundo Monetário Internacional, de 4,25% do Produto Interno Bruto.
O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, explicou que o déficit das estatais decorreu da antecipação de pagamento de dividendos e do aumento dos investimentos. Em fevereiro, foram pagos R$ 3,3 bilhões em dividendos, dos quais R$ 1,1 bilhão para o governo federal. Mas, para o ministro do Planejamento, Guido Mantega, o déficit das estatais ”não preocupa”.
– Na primeira parte do ano, isso é normal. No segundo semestre, elas vão atingir a meta (de R$ 11,9 bilhões de superávit) – afirmou. – As estatais vão dar a sua contribuição, como aconteceu no ano passado.
Em 2003, contudo, as estatais não cumpriram a meta de R$ 10,9 bilhões. O superávit primário alcançado pelas empresas foi de R$ 9,6 bilhões.
Assim como vem acontecendo rotineiramente, a economia feita pelo país é insuficiente para cobrir os gastos com juros, apesar destes apresentarem ligeira queda. Em fevereiro, o governo desembolsou R$ 10,181 bilhões, ante R$ 10,96 bilhões no mês anterior.
A dívida do setor público cresceu R$ 4,827 bilhões, passando de R$ 921,854 bilhões, em janeiro, para R$ 926,681 bilhões, dentro do teto da meta indicativa do FMI, de R$ 996 bilhões. Em relação ao PIB, no entanto, houve queda: a razão dívida-PIB recuou de 57,7% para 56,6%.
O FMI anunciou à noite a conclusão da sexta revisão do acordo fechadoo com o Brasil no ano passado, no valor de US$ 14,8 bilhões. Com isso, o país tem direito a mais US$ 1,34 bilhão, mas, de acordo com o próprio comunicado do Fundo, o governo não pretende sacar o dinheiro.