Mesmo com o já conhecido do grau de hipocrisia nas declarações do govêrno, merece destaque nessa notícia a facilidade com que se altera estratégias. Quais eram as premissas que faziam ser a transmi …

Mesmo com o já conhecido do grau de hipocrisia nas declarações do govêrno, merece destaque nessa notícia a facilidade com que se altera estratégias. Quais eram as premissas que faziam ser a transmissão, investimento estratégico digno de permanescer nas mãos do Estado? O que aconteceu com elas? Volatilizaram-se?


JB 25/02/99

Conta de luz fica mais cara em abril

CRISTIANA NEPOMUCENO

Agência JB


BRASÍLIA – A partir de abril as tarifas de energia elétrica deverão ficar mais caras na maior parte dos estados brasileiros. O mês de abril foi a data-base escolhida para que as distribuidoras que compram energia de Itaipu Binacional reajustem seus preços.


O ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, afirmou, entretanto, que caberá à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) decidir quando e de quanto será o reajuste. Ele explicou que os aumentos das tarifas deverão variar de estado para estado porque vão depender do volume de energia que as distribuidoras compram de Itaipu.


No caso de Minas Gerais, por exemplo, do total de energia que a Cemig distribui, 17% vêm de Itaipu, o que poderá pesar no aumento da tarifa naquele estado. A Light e a Cerj, que distribuem energia no Rio de Janeiro, tiveram reajustes de tarifas autorizados pela Aneel entre novembro e janeiro, mas poderão solicitar à agência um novo aumento porque compram energia de Itaipu.


A energia gerada por Itaipu é cotada em dólar e até abril será vendida a um câmbio fixo de R$ 1,55 – depois dessa data, será fixado um novo câmbio.


"Nós estamos apostando que a cotação do dólar vai cair", afirmou Tourinho.


Revisão das tarifas – O diretor-geral da Aneel, José Mário Abdo, disse recentemente que a desvalorização cambial teria reflexos sobre as tarifas, mas ressaltou que a energia comprada em dólar de Itaipu tem um peso de apenas 12% nos custos das distribuidoras.


De acordo com a assessoria de imprensa da agência, as distribuidoras só poderão aumentar os preços fora da data-base do reajuste se fizerem um pedido de revisão tarifária à Aneel e demonstrarem que houve desequilíbrio econômico-financeiro por causa do aumento do dólar.


Tourinho confirmou ontem que o governo deve privatizar os ativos de transmissão do Sistema Eletrobrás. Ele adiantou que a modelagem de venda deve estar pronta este ano para ser submetida ao Conselho Nacional de Desestatização (CND). Na avaliação do ministro, buscar parcerias com a iniciativa privada para explorar as linhas de transmissão ou licitar novas concessões de transmissão "é um caminho natural" no setor elétrico.

"Depois da privatização das distribuidoras e das geradoras, o terceiro ponto nessa cadeia é a privatização da transmissão", defendeu o ministro.


O modelo original de abertura do setor elétrico previa que os ativos de transmissão do Sistema Eletrobrás permanecessem nas mãos da União por serem considerados estratégicos. Segundo Tourinho, o governo decidiu mudar a estratégia para evitar, sobretudo, o aumento do endividamento da União.


"Por que vou endividar ainda mais o estado se posso passar isso para a iniciativa privada?", questionou Tourinho.


De acordo com o ministro, com a venda dos ativos de transmissão a tendência é que a Eletrobrás seja reduzida a uma pequena empresa, que ficará encarregada de administrar os ativos que sobrarem, entre eles as usinas nucleares de Angra dos Reis.


A Embraer venceu a rival canadense Bombardier em uma concorrência internacional para vender aviões para a Polônia. O contrato com a operadora de aviação regional Lot prevê a entrega de 12 jatos ERJ-145, no valor de US$ 200 milhões. Os jatos começam a ser entregues a partir de julho. Com a vitória, a Embraer entra em um mercado em expansão: o Leste Europeu.


Globo 25/02/99

Light e Cerj aumentarão tarifas em abril

Roberto Cordeiro

BRASÍLIA. As tarifas de energia elétrica para os consumidores da Light e da Cerj vão ser reajustadas em abril. O aumento corresponderá ao custos das duas distribuidoras por causa da mudança cambial e os índices serão decididos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).


O anúncio foi feito ontem pelo ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, ao explicar que o repasse ocorrerá porque as companhias compram eletricidade da Itaipu Binacional, cujas tarifas são fixadas em dólar. A medida vai valer também para os clientes das demais empresas das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste.


Segundo Tourinho, os consumidores da Cemig terão um reajuste mais elevado, pois a distribuidora mineira é uma das maiores compradoras de energia de Itaipu, ou seja, 17% da eletricidade vendida em Minas Gerais vem de Itaipu.


Tourinho explicou que, para as 51 distribuidoras que têm revisão tarifária em abril, data-base dos contratos de concessão, os índices podem ser

superiores, já que elas poderão reivindicar aumentos acima da variação cambial.


As empresas que estão nesta situação são Cemig, Coelba (Bahia), CEB (Brasília), Ceal (Alagoas) e Companhia Paulista de Energia Elétrica

(CPEE), dentre outras. O ministro Tourinho explicou também que pretende renovar o acordo firmado este mês entre o Ministério da Fazenda, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a Itaipu Binacional e a Eletrobrás.


O acordo evita que o preço da energia siga a cotação atual da moeda americana, que está em R$ 2. Com isso, o dólar para a energia de Itaipu ficou

em R$ 1,55. A diferença é bancada pelos governos do Brasil e do Paraguai. Os resíduos serão repassados aos consumidores.


Amanhã, o Conselho de Administração de Itaipu vai se reunir para avaliar os prejuízos no balanço da companhia.




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