O que é potencia reativa e porque ela é motivo de disputa entre geradoras e distribuidoras?
A chamada potência reativa é uma consequência direta do tipo de carga do sistema elétrico. Para que os não especialistas possam entender, é preciso explicar que existem básicamente 2 tipos de cargas elétricas. As indutivas e as capacitivas. Exemplificadamente, as indutivas são os motores elétricos e as capacitivas, os fornos elétricos. Quando existe um equilíbrio entre os dois tipos de carga, o sistema de transmissão de energia se beneficia, pois consegue transmitir a maior quantidade de energia com a máxima eficiência pois um tipo de carga anula o efeito eletromagnético do outro . Entretanto a predominância de cargas indutivas no mercado como um todo é evidente. Isso se deve a importância das indústrias no mercado que utilizam os mais diversos tipos de tração industrial (motores) no processo de produção. Sendo assim, a transmissão se faz com a presença de corrente reativa, que nada mais é que um efeito eletromagnético decorrente dessa carga predominantemente indutiva. Essa corrente não produz qualquer energia real, e no entanto traz os problemas típicos da transmissão de corrente elétrica: Perdas por calor e queda de tensão.
A solução é portanto "instalar" cargas capacitivas que compensem esse efeito eletromagnético. A questão é que essa "compensação" custa caro e como o sistema geração-transmissão-distribuição está sendo desverticalizado, resta saber quem fará esses investimentos e portanto arcará com esses custos.
O assunto suporte reativo é uma constante preocupação no setor elétrico. Cabe lembrar que há pouco tempo a legislação passou a exigir do grande consumidor o nível de 0,92 para o fator de potência, exatamente para que ele também participasse da responsabilidade de prover os investimentos necessários a garantir a adequado compensação reativa. Vários consumidores tiveram que instalar capacitores, que são um dos tipos de equipamentos para prover o referido suporte. Apesar de tudo isto, hoje existe um déficit de reativos no sistema.
Só na área de São Paulo, o déficit de reativos pode atingir 700 MVAr. No restante do sistema, envolvendo a região do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Brasília e Goiás se teria outros 700 MVAr. Os investimentos para prover este suporte abrangem tanto novas instalações de linhas de transmissão, como novos capacitores e compensadores estáticos. Na hipótese mais barata, caso seja necessário instalar apenas capacitores, isto pode significar um investimento da ordem de R$ 60 milhões, até mesmo modesto perante as responsabilidades do sistema.
No passado remoto e agora, o deficit de potência reativa, que deveria ser compensado pelas empresas distribuidoras tem sido um problema crônico que poderá, como alguns sintomas que já aparecem, se agravar com a privatização. É assunto para os responsáveis pelo planejamento e para a ANEEL.
Uma resposta
Muito boa e esclarecedora matéria.